Estenose Hipertrófica do Piloro: Diagnóstico e Conduta Inicial

HDG - Hospital Dilson Godinho (MG) — Prova 2015

Enunciado

Lactente, 1 mês de vida, sexo masculino, previamente hígido e em aleitamento materno exclusivo. Apresenta vômitos em jato, não biliosos e pós-alimentares, há 72 horas, em piora progressiva. Não apresenta febre, mas encontra-se com irritabilidade e choro fácil. Exame físico normal, exceto por certa distensão em região epigástrica e massa em formato de oliva palpável no quadrante superior direito do abdome. A conduta seguinte para esta criança é:

Alternativas

  1. A) Iniciar antiemético e reavaliar em 24 horas. 
  2. B) Solicitar endoscopia digestiva alta, de urgência.
  3. C) Encaminhar para intervenção cirúrgica imediata.
  4. D) Colher gasometria e aferir eletrólitos séricos.

Pérola Clínica

Lactente com vômitos em jato não biliosos + massa em oliva epigástrica → Estenose Hipertrófica do Piloro. Priorizar estabilização hidroeletrolítica.

Resumo-Chave

O quadro clínico é clássico de Estenose Hipertrófica do Piloro (EHP). Antes de qualquer intervenção cirúrgica (que será necessária), é fundamental avaliar e corrigir o desequilíbrio hidroeletrolítico, que geralmente se manifesta como alcalose metabólica hipoclorêmica devido à perda de ácido gástrico pelos vômitos.

Contexto Educacional

A Estenose Hipertrófica do Piloro (EHP) é uma causa comum de obstrução gástrica em lactentes jovens, tipicamente entre 2 e 8 semanas de vida, com maior incidência em meninos primogênitos. Caracteriza-se por hipertrofia e hiperplasia da musculatura circular do piloro, resultando em um canal pilórico estreitado que impede a passagem do alimento para o duodeno. O quadro clínico é marcado por vômitos em jato, não biliosos, pós-alimentares e progressivos, que levam à desidratação, irritabilidade e perda de peso. O exame físico pode revelar distensão epigástrica e, em casos clássicos, a palpação de uma massa móvel, firme, em formato de oliva, no quadrante superior direito do abdome. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal. A conduta inicial, antes da cirurgia, é a estabilização hidroeletrolítica. Os vômitos de conteúdo gástrico levam à perda de ácido clorídrico, resultando em alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia. A correção desses distúrbios com fluidos intravenosos (soro fisiológico com potássio) é crucial para otimizar as condições do paciente para a piloromiotomia, que é o tratamento cirúrgico definitivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da Estenose Hipertrófica do Piloro (EHP) em lactentes?

Os sinais clássicos incluem vômitos em jato, não biliosos, pós-alimentares e progressivos, geralmente em lactentes de 2 a 8 semanas, com irritabilidade e perda de peso. A palpação de uma massa em formato de oliva no epigástrio é patognomônica.

Por que a avaliação de eletrólitos e gasometria é a primeira conduta na EHP?

Os vômitos persistentes levam à perda de ácido clorídrico, resultando em alcalose metabólica hipoclorêmica e desidratação. A correção desses distúrbios é essencial antes da cirurgia para minimizar riscos anestésicos e cirúrgicos.

Qual o tratamento definitivo para a Estenose Hipertrófica do Piloro?

O tratamento definitivo é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt, que consiste na incisão longitudinal da camada muscular do piloro, sem perfurar a mucosa, para aliviar a obstrução.

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