UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2022
Lactente do sexo masculino, 1 mês e 15 dias de vida, retorna em consulta de puericultura. Mãe relata que tem percebido que o bebê vem apresentando episódios recorrentes de regurgitação de conteúdo alimentar (descritos como ''leite talhado'') e vômitos não biliosos, com irritação antecedendo os episódios. Ao exame físico, sinais de desidratação e presença de tumoração em epigástrio. Na avaliação antropométrica, observa-se de relevante, peso no escore Z -2 e -3. Levando em consideração os dados apresentados, assinale a alternativa que contenha respectivamente a principal hipótese diagnóstica, um exame complementar indicado e o achado esperado neste:
Lactente <3m com vômitos não biliosos em jato + tumoração epigástrica + desidratação/perda de peso → Estenose Hipertrófica de Piloro. USG confirma 'oliva pilórica'.
O quadro clínico de vômitos não biliosos e em jato em lactente jovem, associado a desidratação, perda de peso e a presença de uma tumoração palpável em epigástrio ('oliva pilórica'), é altamente sugestivo de Estenose Hipertrófica de Piloro. A ultrassonografia de abdome é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico.
A Estenose Hipertrófica de Piloro (EHP) é uma das causas mais comuns de obstrução gástrica em lactentes, geralmente manifestando-se entre 2 e 8 semanas de vida. Caracteriza-se pelo espessamento hipertrófico da camada muscular do piloro, que impede a passagem do alimento do estômago para o duodeno. É mais comum em primogênitos do sexo masculino. A fisiopatologia envolve a hipertrofia do músculo pilórico, cuja etiologia exata ainda é desconhecida, mas fatores genéticos e ambientais são implicados. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de vômitos não biliosos e em jato, após as mamadas, que progridem em frequência e intensidade. O exame físico pode revelar a palpação da 'oliva pilórica' no epigástrio, um achado patognomônico. A ultrassonografia de abdome é o exame complementar de escolha para confirmar o diagnóstico, mostrando o espessamento da parede muscular do piloro (>3-4 mm) e o alongamento do canal pilórico (>14-17 mm). O tratamento é cirúrgico (piloromiotomia de Ramstedt), que consiste na incisão longitudinal da camada muscular do piloro, liberando a obstrução. A correção da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos deve preceder a cirurgia.
Os sinais clássicos incluem vômitos não biliosos e em jato, que se tornam progressivamente mais frequentes e intensos, irritabilidade, desidratação, perda de peso e a palpação de uma massa firme e móvel (oliva pilórica) no epigástrio.
A ultrassonografia é não invasiva, não utiliza radiação e tem alta sensibilidade e especificidade para visualizar o piloro espessado e alongado, medindo a espessura da parede muscular e o comprimento do canal pilórico, confirmando a 'oliva pilórica'.
As complicações metabólicas incluem desidratação, alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia, resultantes da perda de ácido clorídrico e eletrólitos através dos vômitos persistentes.
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