Estenose Hipertrófica de Piloro: Diagnóstico, Sinais e Manejo

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2015

Enunciado

Recém-nascido (RN) de três semanas de vida apresenta vômitos claros após as mamadas desde o nascimento, que foram aumentando progressivamente, com perda de peso igual a 15% e constipação intestinal. Mãe relata que RN nasceu bem, a termo, adequado para idade gestacional e apresenta boa sucção e não apresenta problemas na amamentação. Ao exame físico, o RN mostrava-se hipo-hidratado. A bioquímica e gasometria evidenciavam alcalose metabólica hipopotassêmica e hipoclorêmica. O diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) Refluxo Gástroesofágico Fisiológico.
  2. B) Estenose Hipertrófica de Piloro.
  3. C) Acidose Tubular Renal Tipo I.
  4. D) Acidose Tubular Renal Tipo II.
  5. E) Hiperplasia Congênita de Supra Renal por deficiência 21 hidroxilase. 

Pérola Clínica

RN com vômitos em jato progressivos + alcalose metabólica hipoclorêmica/hipopotassêmica = Estenose Hipertrófica de Piloro.

Resumo-Chave

A Estenose Hipertrófica de Piloro (EHP) manifesta-se com vômitos não biliares, em jato e progressivos em RN/lactentes jovens, levando a desidratação, perda de peso e alcalose metabólica hipoclorêmica e hipopotassêmica devido à perda de ácido gástrico.

Contexto Educacional

A Estenose Hipertrófica de Piloro (EHP) é uma condição comum em recém-nascidos e lactentes jovens, caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, que obstrui a saída do estômago. É mais frequente em primogênitos do sexo masculino e geralmente se manifesta entre 2 e 8 semanas de vida, sendo uma causa importante de vômitos na pediatria. O quadro clínico típico envolve vômitos não biliares, em jato, que se tornam progressivamente mais frequentes e intensos, geralmente após as mamadas. Isso leva à desidratação, perda de peso e, classicamente, a uma alcalose metabólica hipoclorêmica e hipopotassêmica devido à perda de ácido clorídrico e eletrólitos nos vômitos. A palpação de uma massa abdominal epigástrica móvel e firme, conhecida como 'oliva pilórica', é um achado clássico, embora nem sempre presente ou fácil de identificar. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal, que mede a espessura e o comprimento do piloro. O tratamento é cirúrgico, por meio da piloromiotomia de Ramstedt, que é um procedimento curativo. Antes da cirurgia, é fundamental corrigir a desidratação e os distúrbios eletrolíticos (especialmente a alcalose e a hipopotassemia) para minimizar os riscos anestésicos e cirúrgicos. O prognóstico é excelente com tratamento adequado e oportuno.

Perguntas Frequentes

Quais os sintomas clássicos da Estenose Hipertrófica de Piloro (EHP)?

Os sintomas clássicos da EHP incluem vômitos não biliares, em jato e progressivos, que geralmente começam entre 2 e 8 semanas de vida, levando a desidratação, perda de peso e constipação intestinal.

Por que a EHP causa alcalose metabólica hipoclorêmica e hipopotassêmica?

A perda repetida de suco gástrico ácido através dos vômitos resulta na perda de íons hidrogênio e cloreto, levando à alcalose metabólica e hipocloremia. A hipovolemia secundária ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, causando hipopotassemia.

Como é feito o diagnóstico definitivo da Estenose Hipertrófica de Piloro?

O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal, que demonstra o espessamento e alongamento do piloro. A palpação de uma 'oliva pilórica' no exame físico é patognomônica, mas nem sempre presente.

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