UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2025
Lactente, sexo masculino, 50 dias de vida, há 6 dias com vômitos em jato, não biliosos, após as mamadas. Ao exame físico, apresenta-se desidratado, emagrecido, choroso, abdome flácido, com peristalse discretamente visível em andar superior. O exame de gasometria arterial evidenciou uma alcalose metabólica hipoclorêmica, hipocalêmica. Com base nesses dados, assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, o diagnóstico e o tratamento cirúrgico.
Lactente com vômitos em jato não biliosos + alcalose metabólica hipoclorêmica/hipocalêmica = Estenose Hipertrófica de Piloro → Piloromiotomia.
A perda contínua de suco gástrico (HCl) nos vômitos da estenose pilórica leva à depleção de H+, Cl- e K+, resultando na clássica alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica. O tratamento é a correção do distúrbio hidroeletrolítico seguida da correção cirúrgica (piloromiotomia).
A Estenose Hipertrófica do Piloro (EHP) é uma das causas mais comuns de obstrução gastrointestinal em lactentes, caracterizada pela hipertrofia da musculatura do piloro. A condição geralmente se manifesta entre a 3ª e a 6ª semana de vida, sendo mais frequente em meninos primogênitos. O quadro clínico clássico é de vômitos não biliosos, em jato, que ocorrem logo após as mamadas e pioram progressivamente. A criança tipicamente se mostra faminta após os episódios de vômito. Ao exame físico, pode-se observar desidratação, perda de peso, ondas peristálticas visíveis no abdome superior (da esquerda para a direita) e, em alguns casos, a palpação de uma massa em formato de azeitona no quadrante superior direito ('oliva pilórica'). A consequência metabólica dos vômitos persistentes é a clássica alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal, que demonstra o espessamento e o alongamento do músculo pilórico. O tratamento é cirúrgico e consiste na piloromiotomia de Ramstedt. No entanto, é fundamental que o procedimento seja precedido pela correção rigorosa da desidratação e dos distúrbios hidroeletrolíticos, pois a cirurgia em um paciente instável apresenta alto risco. Após a correção, o prognóstico cirúrgico é excelente.
Os vômitos persistentes contêm grande quantidade de ácido clorídrico (HCl) do estômago. A perda de íons H+ leva à alcalose, a perda de Cl- leva à hipocloremia, e a desidratação resultante ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, que agrava a perda de K+ e H+ nos rins.
O manejo pré-operatório é crucial e foca na correção da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos. Isso envolve hidratação venosa com soluções contendo sódio, cloreto e potássio (após garantir diurese). A cirurgia só deve ser realizada após a estabilização clínica e laboratorial do paciente.
No refluxo, os vômitos (regurgitações) geralmente não são em jato e o lactente pode ganhar peso normalmente. Na estenose pilórica, os vômitos são em jato, progressivos, não biliosos, e o lactente apresenta fome voraz após vomitar, além de perda de peso e desidratação.
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