INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2021
Pode-se afirmar que o distúrbio metabólico apontado como o mais típico da estenose hipertrófica do piloro é a:
Vômitos não biliosos em jato → Alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica.
A perda persistente de íons H+ e Cl- pelo vômito gástrico resulta em alcalose metabólica sistêmica, frequentemente acompanhada de hipocalemia por compensação renal.
A estenose hipertrófica do piloro (EHP) é a causa mais comum de cirurgia abdominal em lactentes entre 2 e 8 semanas de vida. O quadro clínico clássico envolve vômitos não biliosos, progressivos e 'em jato', logo após as mamadas, levando à desidratação e desnutrição se não diagnosticada precocemente. O sinal da oliva pilórica é patognomônico, embora nem sempre palpável. Fisiopatologicamente, a perda de suco gástrico rico em HCl e potássio gera a tríade de alcalose metabólica, hipocloridria e hipocalemia. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal, mostrando espessamento e alongamento do canal pilórico. O tratamento definitivo é a piloromiotomia de Fredet-Ramstedt, mas a correção metabólica pré-operatória é o passo mais crítico para a segurança do paciente.
A estenose hipertrófica do piloro causa vômitos persistentes de conteúdo puramente gástrico. Como o suco gástrico é rico em ácido clorídrico (HCl), a perda maciça de íons cloreto e hidrogênio leva à hipocloridria e ao aumento compensatório do bicarbonato sérico, resultando em alcalose metabólica. Diferente de obstruções distais à ampola de Vater, não há perda de conteúdo biliar ou pancreático alcalino.
Em estados de desidratação grave e hipocalemia por vômitos, o rim tenta conservar sódio e água. Para reabsorver sódio no túbulo distal na ausência de potássio (que está baixo), o rim excreta íons H+ mesmo em vigência de alcalose sistêmica. Isso resulta em uma urina ácida em um paciente alcalótico, fenômeno conhecido como acidúria paradoxal, agravando o quadro metabólico.
A prioridade absoluta antes da intervenção cirúrgica (piloromiotomia) é a estabilização hemodinâmica e a correção dos distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos. Operar um lactente com alcalose grave aumenta significativamente o risco de apneia pós-operatória e complicações anestésicas. A reposição volêmica com solução salina isotônica é fundamental para restaurar o cloro e permitir a correção da alcalose.
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