HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2024
Recém-nascido de 3 semanas, nascido a termo, encontra-se hospitalizado para investigação de vômitos não biliosos pós-prandiais desde o nascimento. A mãe observou uma progressão dos sintomas, percebendo que a criança não estava ganhando peso. Notou-se um aumento na frequência dos vômitos ao longo desta semana, resultando em sinais de desidratação. Um exame de imagem, conforme apresentado acima, foi indicado para uma investigação mais aprofundada.Considerando o quadro clínico exposto bem como assuntos correlatos, julgue:O tratamento é cirúrgico pela clássica técnica de Ramstedt.
Vômitos não biliosos em jato + alcalose hipoclorêmica → Estenose Hipertrófica do Piloro.
A estenose hipertrófica do piloro manifesta-se tipicamente entre a 2ª e 6ª semana de vida com vômitos progressivos e distúrbios hidroeletrolíticos, exigindo correção cirúrgica via piloromiotomia de Ramstedt.
A estenose hipertrófica do piloro (EHP) é a causa mais comum de obstrução gástrica em lactentes, com predileção pelo sexo masculino (4:1). A fisiopatologia envolve a hipertrofia e hiperplasia das camadas musculares circular e longitudinal do piloro, impedindo o esvaziamento gástrico. O quadro clínico de vômitos não biliosos em jato, que se iniciam entre a 3ª e 5ª semana de vida, é patognomônico. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica e correção da alcalose metabólica hipoclorêmica. A cirurgia não é uma emergência imediata; o paciente deve estar metabolicamente estável antes da indução anestésica. A técnica de Ramstedt apresenta excelentes resultados, com retorno rápido à dieta oral e baixo índice de complicações, como perfuração de mucosa ou estenose persistente.
O distúrbio clássico é a alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica. Isso ocorre devido à perda persistente de ácido clorídrico (HCl) e potássio através dos vômitos gástricos. O rim tenta compensar a perda de volume reabsorvendo sódio em troca de hidrogênio (acidúria paradoxal), agravando a alcalose sistêmica. A correção pré-operatória desses eletrólitos é mandatória para evitar apneia pós-operatória induzida pela alcalose.
O diagnóstico é clínico na presença da 'oliva pilórica' palpável, mas a ultrassonografia abdominal é o exame de escolha devido à sua alta sensibilidade e especificidade. Os critérios ultrassonográficos incluem espessura do músculo pilórico > 3-4 mm e comprimento do canal pilórico > 14-17 mm. Em casos duvidosos, o estudo contrastado (serigrafia) pode mostrar o 'sinal do cordão'.
A piloromiotomia de Ramstedt é o tratamento cirúrgico definitivo. Consiste na realização de uma incisão longitudinal na seromuscular do piloro, preservando a integridade da mucosa gástrica e duodenal. A separação das fibras musculares hipertrofiadas permite a expansão da mucosa e a desobstrução do canal. Pode ser realizada via laparotômica (incisão no quadrante superior direito ou periumbilical) ou laparoscópica.
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