Estenose de Piloro: Distúrbio Eletrolítico Clássico

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

O exame contrastado abaixo é de um RN com 17 dias de vida cujo diagnóstico foi dado, apenas, no transoperatório, visto que a hipótese diagnóstica inicial, não confirmada, era de atresia duodenal. O RN apresentava vômitos não biliosos e desidratação.Baseado no real diagnóstico desse paciente, qual o distúrbio metabólico e hidroeletrolítico mais comum nessas crianças?

Alternativas

  1. A) Alcalose respiratória e hipercalcemia
  2. B) Acidose metabólica hipoclorêmica e hipercalemia
  3. C) Acidose respiratória e hipernatremia
  4. D) Acidose metabólica e hiponatremia
  5. E) Alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia

Pérola Clínica

RN com vômitos não biliosos em jato + 'oliva pilórica' palpável = Estenose Hipertrófica de Piloro → Alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica.

Resumo-Chave

Na estenose hipertrófica de piloro, os vômitos persistentes de suco gástrico (rico em HCl) causam perda de H+ e Cl-. A resposta renal compensatória e a hipovolemia levam à perda de K+, resultando no clássico distúrbio: alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica.

Contexto Educacional

A Estenose Hipertrófica de Piloro (EHP) é a causa mais comum de obstrução da saída gástrica em lactentes, caracterizada pela hipertrofia da musculatura do piloro. A incidência é maior em primogênitos do sexo masculino, com pico de apresentação entre 3 e 6 semanas de vida. A etiologia exata é desconhecida, mas envolve fatores genéticos e ambientais. A apresentação clínica clássica é de um lactente previamente hígido que desenvolve vômitos não biliosos, progressivos, em jato, logo após as mamadas, mantendo-se faminto. A perda contínua de suco gástrico (ácido clorídrico) leva a um distúrbio hidroeletrolítico característico: alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica. O diagnóstico é frequentemente clínico (palpação da 'oliva pilórica') e confirmado por ultrassonografia abdominal, que demonstra o espessamento e alongamento do canal pilórico. O tratamento definitivo é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt. No entanto, a EHP não é uma emergência cirúrgica, mas sim uma emergência clínica. A prioridade é a correção da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos antes de submeter o paciente ao procedimento cirúrgico, o que reduz significativamente a morbimortalidade perioperatória.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da estenose hipertrófica de piloro?

Os sinais clássicos incluem vômitos não biliosos, em jato, que se iniciam tipicamente entre a 3ª e a 6ª semana de vida. Ao exame físico, pode-se palpar a 'oliva pilórica' no quadrante superior direito do abdome e observar ondas peristálticas gástricas visíveis.

Qual a conduta inicial antes da cirurgia na estenose de piloro?

A conduta inicial é a estabilização clínica. Isso envolve jejum, passagem de sonda nasogástrica para descompressão gástrica e, crucialmente, a correção hidroeletrolítica com hidratação venosa, repondo cloro, potássio e corrigindo a alcalose metabólica.

Como diferenciar os vômitos da estenose de piloro e da atresia duodenal?

A principal diferença é a presença de bile. Na estenose de piloro, a obstrução é pré-ampola de Vater, então os vômitos são não biliosos. Na atresia duodenal, a obstrução é pós-ampola de Vater, resultando em vômitos biliosos (esverdeados).

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