HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015
Criança de 7 anos, sexo masculino, é internada com vômitos persistentes. A palpação abdominal identifica uma estrutura ovalada (“oliva”) em abdome superior a direita. O cirurgião pediátrico tem a hipótese diagnóstica de estenose hipertrófica de piloro. Caso esteja correto, a alteração eletrolítica / gasométrica que espera encontrar é:
Estenose hipertrófica de piloro (vômitos em jato) → perda de HCl → alcalose metabólica + hipopotassemia + hipocloremia.
A estenose hipertrófica de piloro, caracterizada por vômitos persistentes e em jato, leva à perda significativa de ácido clorídrico (HCl) gástrico. Isso resulta em alcalose metabólica (pela perda de H+) e hipocloremia (pela perda de Cl-), que por sua vez induz hipopotassemia devido à tentativa renal de compensação.
A estenose hipertrófica de piloro (EHP) é uma condição comum em lactentes, caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, que obstrui a saída gástrica. É uma das causas mais frequentes de vômitos não biliares em jato em crianças jovens, tipicamente entre 2 e 8 semanas de vida, embora possa ocorrer em idades variadas. O diagnóstico precoce é crucial, pois a condição pode levar a desidratação grave e distúrbios eletrolíticos significativos se não tratada. A fisiopatologia dos distúrbios eletrolíticos na EHP é diretamente ligada à perda persistente de suco gástrico, rico em ácido clorídrico (HCl). A perda de H+ leva à alcalose metabólica, enquanto a perda de Cl- resulta em hipocloremia. Para compensar a alcalose, os rins tentam reter H+ e excretar K+, levando à hipopotassemia. Além disso, a depleção de volume estimula o sistema renina-angiotensina-aldosterona, que também contribui para a perda renal de potássio. A presença de uma massa palpável em "oliva" no abdome superior direito é um achado clássico, embora o diagnóstico seja frequentemente confirmado por ultrassonografia abdominal. O tratamento da EHP é cirúrgico (piloromiotomia de Ramstedt), mas a correção dos distúrbios hidroeletrolíticos é a prioridade pré-operatória. A reidratação com fluidos intravenosos contendo sódio, potássio e cloreto é essencial para estabilizar o paciente antes da cirurgia. Residentes devem estar aptos a reconhecer a apresentação clínica, solicitar os exames adequados e iniciar o manejo clínico para evitar complicações graves e garantir um desfecho favorável.
Os sinais clássicos incluem vômitos não biliares, em jato, que se tornam progressivamente mais frequentes, perda de peso, desidratação e a palpação de uma massa abdominal em forma de "oliva" no epigástrio direito.
A alcalose metabólica ocorre devido à perda persistente de ácido clorídrico (HCl) através dos vômitos, resultando na depleção de íons hidrogênio (H+) e cloreto (Cl-), levando a um aumento do pH sanguíneo.
A hipopotassemia é multifatorial: a alcalose metabólica causa um desvio de potássio para o intracelular, e a depleção de volume e cloreto estimula o sistema renina-angiotensina-aldosterona, que promove a excreção renal de potássio.
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