Estenose Pilórica: Vômitos em Jato e Alcalose Metabólica

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2026

Enunciado

Recém-nascido, sexo masculino, iniciou ao final da terceira semana de vida, quadro de vômitos em jato após mamadas ao seio materno. A mãe procurou serviço de emergência, sendo prescrito antiemético e recomendada elevação da cabeceira do berço. Os vômitos persistiram e se agravaram nos três dias subsequentes. A criança passou a perder peso e a apresentar pouca atividade, além de diminuição do débito urinário. Foi, então, novamente levado à emergência e os exames laboratoriais iniciais mostraram: Cloro: 90 mEq/L, Potássio: 3,3 mEq/L, Sódio: 130 mEq/L. A gasometria colhida evidenciou alcalose metabólica. Frente ao quadro apresentado, o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) galactosemia.
  2. B) estenose hipertrófica do piloro.
  3. C) refluxo gastroesofágico.
  4. D) hiperplasia congênita de supra-renal.
  5. E) síndrome de hipertensão intracraniana.

Pérola Clínica

Recém-nascido com vômitos em jato e alcalose metabólica hipoclorêmica → Estenose Hipertrófica do Piloro = Urgência cirúrgica.

Resumo-Chave

A estenose hipertrófica do piloro é uma causa comum de vômitos em jato em lactentes jovens, levando a desidratação e distúrbios eletrolíticos graves, como alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia, que requerem correção pré-operatória.

Contexto Educacional

A estenose hipertrófica do piloro (EHP) é uma condição cirúrgica comum na pediatria, caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, que obstrui a saída gástrica. Afeta principalmente lactentes do sexo masculino, geralmente entre a 3ª e a 6ª semana de vida. A apresentação clássica inclui vômitos em jato, não biliosos, que ocorrem após as mamadas e se tornam progressivamente mais frequentes e intensos. A persistência dos vômitos leva à desidratação, perda de peso e, caracteristicamente, a distúrbios hidroeletrolíticos graves, como alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia, devido à perda de ácido clorídrico e eletrólitos. O diagnóstico da EHP é primariamente clínico, com a palpação de uma massa em forma de "oliva" no epigástrio sendo patognomônica, embora nem sempre presente. A ultrassonografia abdominal é o método de imagem de escolha, confirmando o diagnóstico ao medir o espessamento e o comprimento do piloro. O tratamento definitivo é cirúrgico (piloromiotomia de Ramstedt), mas a correção dos distúrbios hidroeletrolíticos e da desidratação é crucial antes da cirurgia para minimizar riscos anestésicos e operatórios. É fundamental que residentes e profissionais de emergência reconheçam rapidamente este quadro para evitar complicações graves. A demora no diagnóstico e tratamento pode levar a desidratação severa, choque e, em casos extremos, à morte. A abordagem inicial deve focar na estabilização do paciente, com hidratação intravenosa e correção dos eletrólitos, especialmente o cloro e o potássio, antes de encaminhar para a intervenção cirúrgica.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar clinicamente a estenose pilórica do refluxo gastroesofágico?

A estenose pilórica tipicamente apresenta vômitos em jato, não biliosos, que se tornam progressivamente mais frequentes e intensos, levando a perda de peso e desidratação. O refluxo gastroesofágico, embora comum em lactentes, geralmente causa regurgitações menos vigorosas, raramente em jato, e não costuma levar a distúrbios eletrolíticos graves ou perda de peso significativa, a menos que seja uma forma complicada. A idade de início também difere, com a estenose pilórica surgindo geralmente entre 3 e 6 semanas de vida.

Qual a fisiopatologia da alcalose metabólica na estenose pilórica?

A alcalose metabólica na estenose pilórica é hipoclorêmica e hipocalêmica. Os vômitos persistentes e em grande volume resultam na perda de ácido clorídrico (HCl) do estômago, levando à depleção de cloro e íons hidrogênio. Para compensar a perda de H+, os rins retêm bicarbonato e excretam potássio e hidrogênio na urina (paradoxo da acidúria), agravando a hipocalemia e a alcalose. A desidratação e a hipovolemia também estimulam o sistema renina-angiotensina-aldosterona, que promove a reabsorção de sódio e a secreção de potássio e hidrogênio, contribuindo para o quadro.

Quais são os achados laboratoriais e de imagem esperados na estenose pilórica?

Laboratorialmente, espera-se alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica, com possível hiponatremia e elevação do hematócrito devido à hemoconcentração. A imagem de escolha é a ultrassonografia abdominal, que demonstra o espessamento do músculo pilórico (parede > 3-4 mm) e o alongamento do canal pilórico (comprimento > 15-17 mm), além de um "sinal do alvo" ou "sinal do donut" no corte transversal. O trânsito gastrointestinal superior com contraste pode mostrar o "sinal do fio" ou "sinal do duplo trilho", mas é menos utilizado devido à radiação e ao risco de aspiração.

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