Estenose Hipertrófica do Piloro: Diagnóstico e Sinais Chave

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menina de 45 dias de vida, previamente saudável, amamentação com leite materno exclusivo, com história de vômitos logo após as mamadas, com inicio há 1 semana, de conteúdo de leite talhado. A mãe relata que tem percebido que a criança vomita praticamente todo leite ingerido nos últimos 2 dias e que não está ganhando peso. A criança evacua diariamente, mas em pequena quantidade. O pediatra orientou medidas posturais e dietéticas e prescreveu domperidona, sem resposta.Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Estenose hipertrófica do piloro.
  2. B) Alergia a proteína do leite de vaca.
  3. C) Má rotação intestinal.
  4. D) Refluxo gastroesofágico.

Pérola Clínica

Lactente < 3 meses com vômitos não biliosos progressivos, em jato, e perda de peso → suspeitar de estenose hipertrófica do piloro.

Resumo-Chave

A estenose hipertrófica do piloro é uma causa comum de vômitos não biliosos em lactentes jovens, geralmente entre 2 e 8 semanas de vida. A falha no ganho de peso e a progressão dos vômitos, mesmo com tratamento para refluxo, são sinais de alerta importantes. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal.

Contexto Educacional

A estenose hipertrófica do piloro é uma condição pediátrica comum que afeta lactentes jovens, caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, que impede a passagem do alimento do estômago para o intestino. É uma das causas mais frequentes de obstrução gástrica em neonatos e lactentes, com uma incidência de 1 a 3 por 1000 nascidos vivos, sendo mais comum em meninos e primogênitos. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações graves como desidratação e desequilíbrio eletrolítico. A fisiopatologia envolve o espessamento progressivo da camada muscular circular do piloro, resultando em um canal gástrico estreito e obstruído. Clinicamente, manifesta-se por vômitos não biliosos, que se tornam progressivamente mais fortes e 'em jato', geralmente após as mamadas. A criança pode apresentar perda de peso, desidratação e, em casos avançados, uma alcalose metabólica hipoclorêmica devido à perda de ácido clorídrico. A palpação de uma massa em forma de 'oliva' no epigástrio é patognomônica, mas nem sempre presente. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal, que demonstra o espessamento do piloro. O tratamento da estenose hipertrófica do piloro é cirúrgico, por meio da piloromiotomia de Ramstedt, um procedimento que incisa a camada muscular do piloro, aliviando a obstrução. Antes da cirurgia, é imperativo estabilizar o paciente, corrigindo a desidratação e os distúrbios eletrolíticos, especialmente a alcalose metabólica. O prognóstico pós-cirúrgico é excelente, com resolução completa dos sintomas e recuperação do ganho de peso. É importante diferenciar de outras causas de vômitos em lactentes, como refluxo gastroesofágico, intolerância alimentar ou má rotação intestinal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da estenose hipertrófica do piloro?

Os sinais clássicos incluem vômitos não biliosos, progressivos e 'em jato', que geralmente começam entre 2 e 8 semanas de vida. O lactente pode apresentar fome após o vômito, desidratação, perda de peso e, em casos avançados, alcalose metabólica hipoclorêmica.

Como é feito o diagnóstico da estenose hipertrófica do piloro?

O diagnóstico é primariamente clínico, com a história e exame físico (palpação de 'oliva pilórica' no epigástrio). A confirmação é feita por ultrassonografia abdominal, que mede a espessura e o comprimento do piloro, revelando o espessamento muscular característico.

Qual é o tratamento definitivo para a estenose hipertrófica do piloro?

O tratamento definitivo é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt. Antes da cirurgia, é fundamental corrigir a desidratação e os distúrbios eletrolíticos, especialmente a alcalose metabólica hipoclorêmica, para garantir a segurança do procedimento.

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