Estenose Hipertrófica do Piloro: Diagnóstico e Manejo

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Um lactente masculino, com 5 semanas de vida, chegou no pronto-socorro com história de vômitos em jato (sem bile) logo após as mamadas. A mãe relata que não está entendendo porque ele não está engordando. Nasceu com 3 500 g. Apesar dos vômitos, que tiveram início pouco depois do nascimento, ele demonstrava muita fome e sugava “com vontade” o leite materno, mas desde ontem está hipoativo, quase não urina e a boca está seca. O exame apresentou os seguintes resultados: P = 3 600 g, sinal da prega presente, mucosa oral seca, hipoativo, perfusão capilar em 4 segundos, massa semelhante a uma azeitona, discreta, firme, móvel, de 2 a 3 cm, palpável no fundo do lado direito do epigástrio. Sem outras anormalidades. Considerando os diagnósticos do lactente, qual conduta médica deve ser adotada?

Alternativas

  1. A) Hidratação venosa e fazer US abdominal para esclarecer a suspeita diagnóstica de base que ocasionou o quadro. 
  2. B) Hidratar o paciente no domicílio e solicitar acompanhamento ambulatorial com pediatra.
  3. C) Usar antiemético, fazer hidratação venosa do paciente e encaminhar para acompanhamento ambulatorial.
  4. D) Prescrever associação de fórmula para complementar o leite materno e fazer hidratação oral, plano B.

Pérola Clínica

Lactente 3-6s, vômitos em jato não biliosos, fome, massa 'azeitona' → Estenose Hipertrófica do Piloro. Priorizar hidratação e USG.

Resumo-Chave

O quadro clínico descrito é clássico de Estenose Hipertrófica do Piloro (EHP), uma emergência cirúrgica pediátrica. A conduta inicial deve focar na correção da desidratação e distúrbios eletrolíticos, seguida pela confirmação diagnóstica com ultrassonografia abdominal.

Contexto Educacional

A Estenose Hipertrófica do Piloro (EHP) é uma condição comum na pediatria cirúrgica, caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, que impede a passagem do alimento do estômago para o intestino delgado. Afeta principalmente lactentes masculinos entre 3 e 6 semanas de vida. O reconhecimento precoce é vital, pois a condição pode levar a desidratação grave, desequilíbrios eletrolíticos e desnutrição se não tratada. O diagnóstico da EHP é fortemente sugerido pela história clínica de vômitos em jato, não biliosos, após as mamadas, acompanhados de fome persistente e perda de peso ou falha no ganho ponderal. Ao exame físico, a palpação de uma massa firme e móvel, semelhante a uma azeitona, no epigástrio direito é patognomônica. Sinais de desidratação, como mucosas secas e tempo de enchimento capilar prolongado, são comuns. A conduta médica inicial deve priorizar a estabilização do paciente, corrigindo a desidratação e os distúrbios hidroeletrolíticos (especialmente a alcalose metabólica hipoclorêmica, que é uma complicação comum). Uma vez estabilizado, o diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal, que demonstra o piloro espessado e alongado. O tratamento definitivo é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt, um procedimento com alta taxa de sucesso.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da Estenose Hipertrófica do Piloro?

Os sinais clássicos incluem vômitos em jato, não biliosos, que ocorrem logo após as mamadas, em lactentes de 3 a 6 semanas de vida. O bebê geralmente demonstra fome intensa após vomitar, não ganha peso e pode apresentar desidratação e uma massa palpável ('azeitona') no epigástrio direito.

Qual a conduta inicial para um lactente com suspeita de Estenose Hipertrófica do Piloro?

A conduta inicial é a estabilização do paciente, com foco na correção da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos (especialmente alcalose metabólica hipoclorêmica). Após a estabilização, deve-se realizar uma ultrassonografia abdominal para confirmar o diagnóstico.

Por que a ultrassonografia abdominal é o exame de escolha para Estenose Hipertrófica do Piloro?

A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha por ser não invasiva, amplamente disponível e eficaz na visualização do piloro. Ela permite medir a espessura da parede muscular do piloro (>3-4mm) e o comprimento do canal pilórico (>14-17mm), confirmando a hipertrofia.

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