Estenose Pilórica: Diagnóstico e Sinais Chave em Neonatos

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Recém-nato, sexo feminino, apresentou ao final da terceira semana de vida, quadro de vômito sem jato após mamadas ao seio materno. Sua mãe procurou serviço de emergência sendo prescrito antiemético e recomendada elevação da cabeceira do berço. Os vômitos persistiram e se agravaram nos três dias subsequentes. A criança passou a perder peso e a apresentar pouca atividade, além de diminuição do débito urinário. Foi então novamente levado à emergência e os exames laboratoriais iniciais mostraram: Cloro: 90 mEq/L, Potássio: 3,3 mEq/L, Sódio: 130 mEq/L. A gasometria colhida evidenciou alcalose metabólica. Frente ao quadro apresentado, o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Galactosemia;
  2. B) Refluxo gastroesofágico;
  3. C) Estenose hipertrófica do piloro;
  4. D) Hiperplasia congênita de suprarenal;
  5. E) Síndrome de hipertensão intracraniana.

Pérola Clínica

Recém-nato com vômitos progressivos, perda de peso e alcalose metabólica hipoclorêmica → Estenose hipertrófica do piloro.

Resumo-Chave

A estenose hipertrófica do piloro é uma causa comum de vômitos não biliosos em lactentes jovens, tipicamente entre 2 e 8 semanas de vida. A obstrução pilórica leva à perda de ácido gástrico, resultando em alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia, que são achados laboratoriais clássicos e cruciais para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A estenose hipertrófica do piloro é uma condição cirúrgica comum em neonatos, caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, que obstrui a saída gástrica. Afeta predominantemente meninos, com uma incidência de 1 a 3 por 1000 nascidos vivos, e geralmente se manifesta entre a 2ª e a 8ª semana de vida. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações graves como desidratação e desequilíbrio eletrolítico. A fisiopatologia envolve a perda de ácido clorídrico e potássio através dos vômitos, levando à alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia, achados laboratoriais clássicos. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de vômitos progressivos e em jato, associado à perda de peso. A ultrassonografia abdominal é o método de escolha para confirmação, visualizando o piloro espessado e alongado. O tratamento definitivo é cirúrgico (piloromiotomia), mas a estabilização hidroeletrolítica pré-operatória é fundamental. A correção da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos é prioritária antes da cirurgia para minimizar riscos. O prognóstico pós-cirúrgico é excelente, com recuperação completa na maioria dos casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da estenose hipertrófica do piloro?

Os principais sinais incluem vômitos não biliosos, inicialmente sem jato e que progridem para vômitos em jato, geralmente após mamadas, perda de peso, desidratação e, em casos avançados, a presença de uma 'oliva pilórica' palpável no abdome superior direito.

Por que a estenose hipertrófica do piloro causa alcalose metabólica hipoclorêmica?

A obstrução pilórica impede a passagem do conteúdo gástrico para o intestino, levando à perda repetida de ácido clorídrico (HCl) através do vômito. Essa perda de H+ e Cl- resulta em alcalose metabólica (aumento do pH e bicarbonato) e hipocloremia, com hipocalemia compensatória.

Qual é o exame de imagem mais indicado para confirmar o diagnóstico de estenose pilórica?

A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha para confirmar a estenose hipertrófica do piloro, demonstrando o espessamento do músculo pilórico e o alongamento do canal pilórico. É um método não invasivo e altamente sensível e específico.

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