Estenose Hipertrófica do Piloro: Diagnóstico e Manejo

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Menino, 45 dias, é admitido no Setor de Emergência com vômitos pós-alimentares não “biliosos” há 10 dias, com piora progressiva. Nos últimos 2 dias, vomitou em jato após quase todas as mamadas. Nega diarreia e febre. Está em uso de leite materno e chá de erva doce por orientação da avó. Nascido de parto normal a termo, escala de Apgar 9 no primeiro e quinto minuto, alta com 2 dias de vida. Exame físico: emagrecido; sugando avidamente o seio materno; fontanela deprimida; boa perfusão periférica; FC = 130bpm; FR = 40irpm. Restante do exame físico sem alterações. Pode-se afirmar que a principal hipótese diagnóstica, o distúrbio metabólico esperado e o exame diagnóstico melhor indicado são:

Alternativas

  1. A) gastroenterite aguda / alcalose respiratória / coprocultura.
  2. B) invaginação intestinal / alcalose hipoclorêmica / enema contrastado.
  3. C) doença do refluxo gastroesofágico / alcalose hipercalêmica / US abdominal.
  4. D) estenose hipertrófica do piloro / alcalose hipoclorêmica / US abdominal

Pérola Clínica

Lactente com vômitos em jato não biliosos + desidratação → Estenose Hipertrófica do Piloro + Alcalose Hipoclorêmica. US abdominal é o exame de escolha.

Resumo-Chave

A estenose hipertrófica do piloro causa vômitos em jato não biliosos em lactentes jovens, levando à desidratação e alcalose metabólica hipoclorêmica devido à perda de ácido clorídrico. O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal.

Contexto Educacional

A estenose hipertrófica do piloro é uma condição cirúrgica comum em lactentes, caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, que obstrui a saída gástrica. Geralmente se manifesta entre 3 e 6 semanas de vida, com vômitos pós-alimentares que se tornam progressivamente em jato e não biliosos, indicando que o conteúdo não ultrapassa o piloro. A história de piora progressiva e a ausência de febre ou diarreia são pistas importantes. O quadro clínico pode evoluir para desidratação, perda de peso e um distúrbio metabólico característico: a alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica. Isso ocorre devido à perda contínua de ácido clorídrico e potássio através dos vômitos. O exame físico pode revelar um lactente emagrecido, com fontanela deprimida e, ocasionalmente, uma massa palpável no epigástrio (oliva pilórica). O diagnóstico é primariamente clínico e confirmado pela ultrassonografia abdominal, que demonstra o espessamento e o alongamento do piloro. O tratamento definitivo é cirúrgico (piloromiotomia), mas a correção da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos é prioritária antes da cirurgia. Residentes devem estar atentos a esse quadro para um diagnóstico e manejo precoces, evitando complicações graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos da estenose hipertrófica do piloro?

Os sinais clássicos incluem vômitos em jato, não biliosos, que pioram progressivamente, geralmente entre 3 e 6 semanas de vida, e podem levar à desidratação e perda de peso.

Por que ocorre alcalose hipoclorêmica na estenose hipertrófica do piloro?

A alcalose hipoclorêmica ocorre devido à perda repetida de ácido clorídrico (HCl) contido no suco gástrico pelos vômitos, resultando em desequilíbrio eletrolítico e metabólico.

Qual o exame de imagem de escolha para confirmar a estenose hipertrófica do piloro?

A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha, pois permite visualizar o espessamento e o alongamento do piloro, confirmando o diagnóstico de forma não invasiva.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo