Estenose Hipertrófica do Piloro: Diagnóstico e Distúrbios Eletrolíticos

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2022

Enunciado

Mãe comparece ao pronto atendimento com o seu bebê de 6 semanas de vida, com queixa de que, desde que a criança completou o primeiro mês, vem apresentando vômitos leitosos em jatos e diminuição significativa da diurese. No início, os vômitos eram menos frequentes, mas, atualmente, persistem após todas as alimentações. O bebê encontra-se com sinais de hiperperistalse gástrica, em aleitamento materno exclusivo e com bastante avidez em buscar o seio materno desde o início dos sintomas. Nesse caso, esse lactente, provavelmente, apresenta

Alternativas

  1. A) alergia à proteína do leite de vaca (APLV).
  2. B) grave desidratação, com alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica.
  3. C) grave desidratação com acidose metabólica hipocalêmica.
  4. D) distúrbio funcional, a ser acompanhado ambulatorialmente.

Pérola Clínica

Vômitos em jato + hiperperistalse gástrica + desidratação + avidez pelo seio em lactente < 3 meses → Estenose Hipertrófica do Piloro com alcalose metabólica hipoclorêmica.

Resumo-Chave

O quadro clínico de vômitos em jato, hiperperistalse gástrica visível e avidez pelo seio em um lactente jovem é clássico de estenose hipertrófica do piloro. Os vômitos persistentes levam à perda de ácido clorídrico, resultando em alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia, além de desidratação grave.

Contexto Educacional

A estenose hipertrófica do piloro (EHP) é uma condição comum em lactentes jovens, caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, que obstrui a saída gástrica. Geralmente manifesta-se entre 2 e 8 semanas de vida, sendo mais comum em primogênitos do sexo masculino. É uma emergência cirúrgica pediátrica, mas o manejo pré-operatório dos distúrbios hidroeletrolíticos é crucial para o sucesso do tratamento e a segurança do paciente. O quadro clínico típico da EHP inclui vômitos em jato, não biliosos, que ocorrem após as mamadas e são progressivos. Apesar dos vômitos, o lactente geralmente apresenta avidez pelo seio ou pela mamadeira, o que é um sinal importante. Ao exame físico, pode-se observar ondas peristálticas gástricas visíveis e, em alguns casos, palpar uma massa em forma de oliva no epigástrio. A ultrassonografia abdominal é o método diagnóstico de escolha, mostrando o espessamento e alongamento do piloro. Os vômitos persistentes levam à perda de ácido clorídrico, resultando em alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica, além de desidratação grave. O manejo da EHP envolve duas fases: a correção dos distúrbios hidroeletrolíticos e a piloromiotomia cirúrgica. Antes da cirurgia, é imperativo restaurar o equilíbrio hidroeletrolítico, principalmente corrigindo a desidratação, a alcalose metabólica, a hipocloremia e a hipocalemia com fluidoterapia intravenosa contendo cloreto de sódio e potássio. A cirurgia, piloromiotomia de Ramstedt, é curativa e tem excelente prognóstico quando realizada após a estabilização clínica do paciente. A identificação precoce e o manejo adequado são essenciais para evitar complicações graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da estenose hipertrófica do piloro?

Os sintomas clássicos incluem vômitos em jato, não biliosos, que se iniciam entre 2 e 8 semanas de vida, progressivos e após as mamadas. Ao exame físico, pode-se observar hiperperistalse gástrica visível e, ocasionalmente, palpar a oliva pilórica no epigástrio.

Por que a estenose hipertrófica do piloro causa alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica?

Os vômitos persistentes levam à perda de ácido clorídrico (HCl) do estômago, resultando em alcalose metabólica (pH elevado, HCO3 elevado) e hipocloremia. A perda de volume e a tentativa de compensação renal levam à perda de potássio, causando hipocalemia.

Qual o tratamento inicial e definitivo para a estenose hipertrófica do piloro?

O tratamento inicial foca na correção da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos (alcalose, hipocloremia, hipocalemia) com fluidoterapia intravenosa. O tratamento definitivo é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt, que consiste na incisão longitudinal da camada muscular do piloro.

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