Estenose Hipertrófica do Piloro: Distúrbios Eletrolíticos

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2024

Enunciado

Lactente de 6 semanas de vida, masculino, nascido a termo, dá entrada em Pronto Socorro, apresentando vômitos desde a terceira semana de vida, com progressão para vômitos em jato, perda de peso e desidratação importante. Foram colhidos vários exames sanguíneos e realizado Rx simples de tórax e abdome. A gasometria arterial revelou uma alcalose metabólica com hiponatremia, hipocloremia e hipocalemia. O Rx simples revelou uma distensão gástrica importante com diminuição da distribuição de gases pelo abdome. Em relação ao suposto diagnóstico em questão, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A hipocalemia e hipocloremia são decorrentes dos vômitos constantes apresentados pelo recém-nascido.
  2. B) A hiponatremia deve-se ao fato da compensação renal pela perda de potássio.
  3. C) A hipocloremia é decorrente dos vômitos constantes apresentados.
  4. D) A hipocalemia e a hiponatremia são decorrentes dos vômitos constantes apresentados pelo recémnascido.

Pérola Clínica

Lactente com vômitos em jato + alcalose metabólica hipoclorêmica + distensão gástrica = Estenose Hipertrófica do Piloro.

Resumo-Chave

O quadro clínico de vômitos em jato progressivos em lactente, associado a alcalose metabólica hipoclorêmica, hiponatremia e hipocalemia, com distensão gástrica ao RX, é clássico da Estenose Hipertrófica do Piloro. A perda de ácido clorídrico (HCl) nos vômitos gástricos é a causa direta da hipocloremia e contribui para a alcalose metabólica.

Contexto Educacional

A estenose hipertrófica do piloro é uma condição comum em lactentes, caracterizada por hipertrofia do músculo pilórico, que obstrui a saída gástrica. Tipicamente manifesta-se entre 3 e 6 semanas de vida com vômitos em jato pós-alimentação, que progridem e levam à desidratação e perda de peso. É mais comum em meninos primogênitos. Os vômitos persistentes de conteúdo gástrico resultam na perda de ácido clorídrico (HCl), levando a uma alcalose metabólica hipoclorêmica. A perda de volume desencadeia a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, que, juntamente com a perda de potássio nos vômitos e o desvio intracelular de potássio em resposta à alcalose, contribui para a hipocalemia. A hiponatremia pode ser dilucional ou por perda de sódio. O diagnóstico é clínico e confirmado por ultrassonografia abdominal, que demonstra o espessamento e alongamento do piloro. O tratamento definitivo é cirúrgico (piloromiotomia), mas a correção dos distúrbios hidroeletrolíticos é prioritária antes da cirurgia para garantir a segurança do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da alcalose metabólica na estenose hipertrófica do piloro?

A alcalose metabólica ocorre devido à perda de ácido clorídrico (HCl) nos vômitos gástricos. Isso leva à hipocloremia e à retenção renal de bicarbonato para compensar a perda de volume e eletrólitos, resultando em um aumento do pH sanguíneo.

Por que ocorre hipocalemia e hiponatremia na estenose pilórica?

A hipocalemia é multifatorial, incluindo a perda de potássio nos vômitos e o desvio intracelular de potássio em resposta à alcalose. A hiponatremia pode ser dilucional (devido à secreção de ADH em resposta à hipovolemia) ou por perda de sódio nos vômitos.

Quais são os achados radiológicos típicos da estenose hipertrófica do piloro?

O RX simples de abdome pode mostrar distensão gástrica significativa com escassez de gases no intestino distal. A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha, revelando espessamento da parede do piloro e alongamento do canal pilórico.

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