Estenose Hipertrófica do Piloro: Diagnóstico e Sinais

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2024

Enunciado

Recém-nascido de 3 semanas, nascido a termo, encontra-se hospitalizado para investigação de vômitos não biliosos pós-prandiais desde o nascimento. A mãe observou uma progressão dos sintomas, percebendo que a criança não estava ganhando peso. Notou-se um aumento na frequência dos vômitos ao longo desta semana, resultando em sinais de desidratação. Um exame de imagem, conforme apresentado acima, foi indicado para uma investigação mais aprofundada.Considerando o quadro clínico exposto bem como assuntos correlatos, julgue:O principal achado na imagem aponta para malformação do estômago proximal com acometimento esofágico, provável disgenesia do esôfago distal com acometimento esfincteriano.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Vômitos não biliosos progressivos em RN 3 semanas + desidratação → Estenose Hipertrófica do Piloro; não malformação esofágica.

Resumo-Chave

O quadro clínico de vômitos não biliosos, progressivos, pós-prandiais em um recém-nascido de 3 semanas com perda de peso e desidratação é altamente sugestivo de Estenose Hipertrófica do Piloro (EHP). A descrição do achado na imagem como malformação do estômago proximal com acometimento esofágico não se alinha com a EHP, que afeta o piloro, uma estrutura distal ao estômago.

Contexto Educacional

A Estenose Hipertrófica do Piloro (EHP) é uma condição comum em recém-nascidos, caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, que obstrui a saída gástrica. Afeta cerca de 1 a 3 por 1000 nascidos vivos, sendo mais frequente em meninos primogênitos. A fisiopatologia envolve uma hipertrofia e hiperplasia das camadas musculares do piloro, cuja causa exata ainda é desconhecida, mas fatores genéticos e ambientais são implicados. É uma causa importante de vômitos em lactentes jovens e, se não tratada, pode levar a desidratação grave, desnutrição e distúrbios eletrolíticos. O diagnóstico da EHP é baseado na história clínica de vômitos não biliosos, em jato, que se iniciam geralmente entre a 2ª e 6ª semana de vida, e no exame físico, que pode revelar a "oliva pilórica" (massa palpável no epigástrio). A ultrassonografia abdominal é o método de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, mostrando o espessamento da parede do piloro (>3-4 mm) e o comprimento do canal pilórico (>14-17 mm). Laboratorialmente, é comum encontrar alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia devido à perda de ácido clorídrico e potássio nos vômitos. O tratamento da EHP é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt, um procedimento com alta taxa de sucesso. Antes da cirurgia, é crucial estabilizar o paciente, corrigindo a desidratação e os distúrbios eletrolíticos com fluidoterapia intravenosa. O prognóstico é excelente com tratamento adequado. É fundamental que residentes saibam diferenciar a EHP de outras causas de vômitos em neonatos, como refluxo gastroesofágico, alergia à proteína do leite de vaca ou outras malformações gastrointestinais, para evitar atrasos no diagnóstico e tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da Estenose Hipertrófica do Piloro?

Os sintomas clássicos incluem vômitos não biliosos, em jato, que se tornam progressivamente mais frequentes e intensos, geralmente iniciando entre a 2ª e 6ª semana de vida. O bebê pode apresentar perda de peso, desidratação e, ao exame físico, uma massa palpável no epigástrio ("oliva pilórica").

Como é feito o diagnóstico da Estenose Hipertrófica do Piloro?

O diagnóstico é primariamente clínico e confirmado por ultrassonografia abdominal, que demonstra o espessamento do músculo pilórico e o alongamento do canal pilórico. Exames laboratoriais podem revelar alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia devido aos vômitos.

Qual é o tratamento para a Estenose Hipertrófica do Piloro?

O tratamento definitivo é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt, que consiste na incisão longitudinal da camada muscular do piloro, preservando a mucosa. Antes da cirurgia, é fundamental corrigir a desidratação e os distúrbios eletrolíticos.

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