Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2022
Recém-nascido com 2 semanas de vida, masculino, é trazido ao pronto-socorro por vômitos intensos, após as mamadas, de conteúdo alimentar. A mãe relata que desde o nascimento a criança nunca apresentou vômitos e sempre esteve em aleitamento materno exclusivo. Nega intercorrências durante o pré-natal. Há 1 semana iniciou quadros de vômitos, sendo prescrito antieméticos e observação. Hoje retorna com piora dos vômitos e queda do estado geral. Nega vômitos de conteúdo esverdeado ou amarelado. Ao exame físico: regular estado geral, desidratado, pálido. Abdome flácido, indolor, sem sinais de peritonite, tumoração palpável em epigástrio. Notado ondas peristálticas vigorosas do quadrante superior esquerdo para o direito. A principal hipótese diagnóstica é:
RN < 2 meses, vômitos em jato não biliosos, oliva pilórica, ondas peristálticas → Estenose Hipertrófica de Piloro.
A estenose hipertrófica de piloro é uma causa comum de vômitos não biliosos em lactentes jovens, tipicamente entre 2 e 8 semanas de vida. A presença de uma massa palpável em epigástrio ('oliva pilórica') e ondas peristálticas visíveis do quadrante superior esquerdo para o direito são achados clássicos que indicam o diagnóstico.
A estenose hipertrófica de piloro (EHP) é uma condição pediátrica comum caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, causando obstrução da saída gástrica. Afeta principalmente lactentes do sexo masculino, entre 2 e 8 semanas de vida, sendo uma das causas mais frequentes de vômitos não biliosos na infância. A fisiopatologia envolve a hipertrofia e hiperplasia das camadas musculares do piloro, impedindo a passagem do alimento para o duodeno. O diagnóstico da EHP é fortemente sugerido pela tríade clássica de vômitos em jato não biliosos, massa palpável em epigástrio (a 'oliva pilórica') e ondas peristálticas visíveis no abdome superior. A ultrassonografia abdominal é o método diagnóstico de escolha, demonstrando o espessamento do piloro. Os vômitos persistentes levam a desidratação e distúrbios eletrolíticos, notadamente alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia. O tratamento da estenose hipertrófica de piloro é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt, que consiste na incisão longitudinal da camada muscular do piloro, sem perfurar a mucosa. Antes da cirurgia, é crucial a correção da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos. O prognóstico pós-cirúrgico é excelente, com resolução completa dos sintomas na maioria dos casos.
Os sinais clássicos incluem vômitos em jato, não biliosos, que se tornam progressivamente mais frequentes e intensos, geralmente entre 2 e 8 semanas de vida. Ao exame físico, pode-se palpar uma massa em forma de oliva no epigástrio e observar ondas peristálticas visíveis no abdome superior.
O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e exame físico. A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha, confirmando a hipertrofia do músculo pilórico (espessura da parede > 4 mm e comprimento do canal pilórico > 16 mm).
A principal complicação metabólica é a alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica, resultante da perda de ácido clorídrico e potássio através dos vômitos gástricos. Isso pode levar a desidratação grave e distúrbios eletrolíticos que precisam ser corrigidos antes da cirurgia.
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