HMAR - Hospital Memorial Arthur Ramos (AL) — Prova 2021
Lactente de 2 meses de idade, masculino, é trazido pela mãe após queixas de vômitos, de início há 25 dias. A mãe relata que o paciente está em aleitamento materno exclusivo, que não houve alteração da dieta ofertada e que os vômitos acontecem com maior frequência em períodos pós-prandiais, são em jato, de conteúdo alimentar. Nega eliminação de conteúdo biliar. Nega febre. Relata que desde o início dos episódios apresentou perda ponderal importante e irritação. Ao exame: choro inconsolável, irritado, descorado, desidratado, taquicárdico, eupneico, anictérico. Abdome flácido, levemente distendido mais em andar superior, sem sinais de peritonite, sem massas palpáveis. Foi submetido à radiografia de abdome agudo que evidenciou apenas distensão importante da câmara gástrica. Os exames séricos evidenciaram hipocalemia e alcalose metabólica. A principal hipótese diagnóstica é:
Lactente <3 meses com vômitos em jato não biliosos + perda ponderal + alcalose metabólica = Estenose Hipertrófica de Piloro.
A estenose hipertrófica de piloro é uma causa comum de vômitos não biliosos em jato em lactentes jovens, tipicamente entre 2 e 8 semanas de vida. A obstrução da saída gástrica leva a vômitos persistentes, desidratação, perda de peso e distúrbios eletrolíticos, como alcalose metabólica e hipocalemia.
A estenose hipertrófica de piloro (EHP) é uma condição comum na pediatria que afeta lactentes jovens, geralmente entre a segunda e a oitava semana de vida, com maior incidência em meninos primogênitos. Caracteriza-se pelo espessamento hipertrófico da camada muscular do piloro, resultando em obstrução da saída gástrica. A etiologia exata é desconhecida, mas fatores genéticos e ambientais são implicados. O quadro clínico é marcado por vômitos progressivos, que se tornam em jato e não biliosos, ocorrendo logo após as mamadas. A persistência dos vômitos leva à desidratação, perda ponderal e distúrbios hidroeletrolíticos, classicamente alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalemia. Ao exame físico, pode-se observar uma 'oliva pilórica' palpável no epigástrio (massa firme, móvel, do tamanho de uma azeitona), embora nem sempre seja detectada. A radiografia de abdome pode mostrar distensão gástrica, mas a ultrassonografia abdominal é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, medindo a espessura da parede e o comprimento do piloro. O tratamento da EHP é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt. Contudo, antes da intervenção cirúrgica, é imperativo estabilizar o paciente, corrigindo a desidratação e os distúrbios eletrolíticos com fluidoterapia intravenosa. A correção da alcalose metabólica e da hipocalemia é crucial para minimizar os riscos anestésicos e operatórios. O prognóstico pós-cirúrgico é excelente, com resolução completa dos sintomas.
Os sinais clássicos incluem vômitos em jato, não biliosos, que ocorrem após as mamadas, em um lactente de 2 a 8 semanas de idade. Pode haver perda de peso, desidratação, irritabilidade e, em alguns casos, a palpação de uma 'oliva pilórica' no epigástrio.
A ultrassonografia abdominal é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, demonstrando o espessamento da parede do piloro (>3-4 mm) e o alongamento do canal pilórico (>14-17 mm). É um método não invasivo e altamente sensível.
O tratamento definitivo é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt, que consiste na incisão longitudinal da camada muscular do piloro, preservando a mucosa. Antes da cirurgia, é crucial corrigir a desidratação e os distúrbios eletrolíticos (alcalose metabólica e hipocalemia) com fluidoterapia intravenosa.
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