Estenose Hipertrófica de Piloro: Diagnóstico e Sinais Chave

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Recém-nascido, sexo masculino, 22 dias de vida, é levado pela mãe ao pronto- socorro com queixa de vómitos há 6 dias. Nega febre, nega diarreia, nega queixas respiratórias ou urinárias, nega lesões de pele. Nascido de termo (39 semanas), parto vaginal, Apgar 9/10, sem intercorrências peri-natais. Peso de nascimento de 3480 g, adequado para a idade gestacional. Estava em seio materno exclusivo, até que começou a apresentar os vómitos após as mamadas, o que fez a mãe tentar fórmula láctea de partida, mas que também levou a vómitos. Há 3 dias, passou em consulta de rotina em UBS, onde foi orientada a inclinar o berço a 45°, aumentar o tempo que é colocado em pé após as mamadas e introdução de domperidona. A mãe não viu resposta as orientações e, atualmente, o bebê vomita após todas as mamadas, sem exceção. Ao exame clínico, recémnascido em regular estado geral, descorado, desidratado, com aspecto emagrecido, irritado e choroso. Abdome plano com presença de ondas peristálticas visíveis no epigástrio. Peso atual de 3540 g. Sem outras alterações relevantes ao exame clínico. Optado pela coleta de exames laboratoriais com: Hb 14,5 g/dL, Ht 49,5%, leucócitos: 12350 (39% neutrófilos, 2% eosinófilos, 1% basófilos, 43% linfócitos, 15% monócitos), plaquetas: 450000, proteína C reativa: 4 mg/dL, sódio: 143 mEq/L, potássio 3,8 mEq/L, cloro: 91 mEq/L, ureia: 35 mg/dL, creatinina: 0,35 mg/dL, gasometria arterial: pH: 7,49, p02: 97 mmHg, pC02: 45 mmHg, HC03: 33 mEq/L, BE: +6, Sat02 = 98%. Tendo em vista os dados apresentados, a hipótese diagnóstica mais provável é

Alternativas

  1. A) alergia a proteína do leite de vaca.
  2. B) doença do refluxo gastroesofágico.
  3. C) estenose hipertrófica de piloro.
  4. D) hiperplasia adrenal congénita.
  5. E) meningoencefalite herpética.

Pérola Clínica

RN < 2m com vômitos não biliosos em jato, desidratação, alcalose metabólica hipoclorêmica e ondas peristálticas → Estenose Hipertrófica de Piloro.

Resumo-Chave

A estenose hipertrófica de piloro é uma causa comum de vômitos não biliosos em lactentes jovens, tipicamente entre 2 e 8 semanas de vida. A apresentação clássica inclui vômitos em jato, perda de peso ou falha em ganhar peso, e sinais de desidratação e alcalose metabólica hipoclorêmica, que são cruciais para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A estenose hipertrófica de piloro é uma condição cirúrgica comum na pediatria, caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, que obstrui a saída gástrica. Afeta principalmente lactentes do sexo masculino, geralmente entre 2 e 8 semanas de vida, e é uma causa importante de morbidade se não diagnosticada e tratada precocemente, podendo levar a desidratação grave e desequilíbrio eletrolítico. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de vômitos não biliosos progressivos em jato, perda de peso e sinais de desidratação. O exame físico pode revelar ondas peristálticas visíveis no epigástrio e a palpação da 'oliva pilórica'. Exames laboratoriais frequentemente mostram alcalose metabólica hipoclorêmica. A ultrassonografia abdominal é o método de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, medindo a espessura e o comprimento do piloro. O tratamento definitivo é cirúrgico, através da piloromiotomia de Ramstedt, que é um procedimento seguro e eficaz. Antes da cirurgia, a correção da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos, especialmente a alcalose metabólica, é fundamental para reduzir os riscos anestésicos e cirúrgicos. O prognóstico pós-operatório é excelente, com resolução completa dos sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da estenose hipertrófica de piloro em lactentes?

Os sinais clássicos incluem vômitos não biliosos em jato, perda de peso ou falha em ganhar peso, desidratação, irritabilidade e, ao exame físico, ondas peristálticas visíveis no epigástrio e, ocasionalmente, uma massa palpável ('oliva pilórica').

Por que a alcalose metabólica hipoclorêmica é comum na estenose de piloro?

A alcalose metabólica hipoclorêmica ocorre devido à perda repetida de ácido clorídrico (HCl) através dos vômitos gástricos, levando à depleção de cloro e hidrogênio, e à subsequente reabsorção renal de bicarbonato para compensar a perda de volume.

Como diferenciar estenose de piloro de refluxo gastroesofágico grave?

A estenose de piloro se diferencia do refluxo grave pelos vômitos em jato (não apenas regurgitações), a rápida perda de peso, a presença de ondas peristálticas visíveis e, laboratorialmente, pela alcalose metabólica hipoclorêmica. O refluxo geralmente não causa alcalose metabólica.

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