USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Menino, 20 dias de vida, é levado pela sua mãe ao pediatra em uma unidade hospitalar, com queixas de vômitos em jatos, com conteúdo de leite, inicialmente discretos e no momento mais intensos, que iniciaram há 3 dias. A mãe relata que a criança chora muito, perdeu peso e que evacua muito pouco. Na avaliação, o pediatra suspeita de um quadro de suboclusão intestinal sugestiva de estenose hipertrófica do piloro. Qual o achado de gasometria mais compatível com esse caso?
Estenose pilórica → Vômitos em jato + desidratação + alcalose metabólica hipoclorêmica.
A estenose hipertrófica do piloro causa vômitos em jatos persistentes, levando à perda de ácido clorídrico do estômago. Essa perda resulta em alcalose metabólica, geralmente acompanhada de hipocloremia e hipocalemia, devido à tentativa renal de compensação e à desidratação.
A estenose hipertrófica do piloro é uma condição comum em recém-nascidos e lactentes jovens, caracterizada pelo espessamento do músculo pilórico, que obstrui a saída gástrica. Manifesta-se tipicamente entre 2 e 8 semanas de vida com vômitos em jatos, não biliosos, que se tornam progressivamente mais intensos e frequentes. A incidência é maior em meninos primogênitos. A perda contínua de suco gástrico rico em ácido clorídrico e eletrólitos leva a um quadro de desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos graves. O achado gasométrico clássico é a alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica. A hipocloremia é causada pela perda de cloreto nos vômitos, e a hipocalemia ocorre devido à perda renal de potássio na tentativa de conservar hidrogênio e à troca de potássio por hidrogênio nas células. O diagnóstico é clínico, com a palpação da 'oliva pilórica' em alguns casos, e confirmado por ultrassonografia abdominal. O tratamento definitivo é cirúrgico (piloromiotomia), mas a correção pré-operatória da desidratação e dos distúrbios eletrolíticos é crucial para a segurança do procedimento, evitando complicações como arritmias cardíacas e apneia pós-operatória.
Os sinais incluem vômitos em jatos pós-alimentares, não biliosos, perda de peso, desidratação, constipação e, em casos avançados, a palpação de uma 'oliva pilórica' no abdome.
A alcalose metabólica ocorre devido à perda persistente de ácido clorídrico (HCl) do estômago através dos vômitos, levando a um aumento do bicarbonato sérico e desequilíbrio eletrolítico.
A conduta inicial é a correção da desidratação e dos distúrbios hidroeletrolíticos (alcalose metabólica, hipocloremia, hipocalemia) com fluidoterapia intravenosa, antes da correção cirúrgica definitiva (piloromiotomia).
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