Estenose Carotídea Sintomática: Indicação de Endarterectomia

UEM - Hospital Universitário de Maringá (PR) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de 69 anos, do sexo feminino, hipertensa e diabética, chega ao pronto socorro com história de déficit motor em membro superior e inferior a esquerda, associado a dislalia. Os sintomas ocorreram no dia anterior ao atendimento e duraram cerca de 12 horas. Na história pregressa a paciente também apresentou um infarto agudo do miocárdio há 6 meses, tendo sido submetida a angioplastia coronária com stent. Foi realizado um ecocolor Doppler de carótidas, com evidência de estenose de artéria carótida interna direita de 80%. Sobre esse caso podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) O evento que a paciente apresentou foi um acidente vascular cerebral.
  2. B) O grau de estenose da carótida associado ao evento indicam manter somente tratamento clínico.
  3. C) Há contra-indicação de intervenção cirúrgica na carótida devido ao evento que a paciente apresentou.
  4. D) Devido à doença sintomática e ao grau de estenose de carótida está indicada uma endarterectomia.
  5. E) O procedimento mais indicado nesse caso é a fibrinólise.

Pérola Clínica

Estenose carotídea sintomática >70% (ou >60% em alguns casos) → endarterectomia para prevenção secundária de AVC.

Resumo-Chave

A paciente apresentou um Acidente Isquêmico Transitório (AIT), que é um fator de risco para AVC. A estenose carotídea sintomática de 80% é uma indicação clara para intervenção cirúrgica (endarterectomia) para reduzir o risco de um AVC isquêmico futuro.

Contexto Educacional

A estenose da artéria carótida é uma condição aterosclerótica comum, especialmente em pacientes com fatores de risco como hipertensão e diabetes. Sua importância clínica reside no alto risco de causar Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico, sendo responsável por uma parcela significativa dos AVCs. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para a prevenção de eventos neurológicos devastadores. A fisiopatologia envolve a formação de placas ateroscleróticas que estreitam a luz da artéria, podendo levar à hipoperfusão cerebral ou, mais comumente, à embolização de fragmentos da placa para o cérebro. O diagnóstico é feito principalmente por ultrassonografia Doppler de carótidas, que avalia o grau de estenose. A suspeita deve surgir em pacientes com AITs ou AVCs prévios, ou naqueles com sopro carotídeo e fatores de risco cardiovascular. O tratamento da estenose carotídea depende se é sintomática ou assintomática e do grau de estenose. Em pacientes sintomáticos com estenose >70% (ou >60% em alguns guidelines), a endarterectomia de carótida é o tratamento de escolha, demonstrando superioridade sobre o tratamento clínico isolado na prevenção secundária de AVC. A angioplastia com stent é uma alternativa em casos selecionados, mas a endarterectomia ainda é o padrão-ouro para muitos. O tratamento clínico com antiagregantes plaquetários e controle rigoroso dos fatores de risco é fundamental em todos os casos.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para indicação de endarterectomia em estenose carotídea?

A endarterectomia é indicada para pacientes sintomáticos com estenose da artéria carótida interna >70% (ou >60% em alguns casos, dependendo do risco cirúrgico e expectativa de vida), visando a prevenção secundária de AVC.

Qual a diferença entre estenose carotídea sintomática e assintomática?

A estenose carotídea sintomática ocorre quando o paciente apresenta sintomas neurológicos transitórios (AIT) ou permanentes (AVC) relacionados à estenose. A assintomática não apresenta sintomas prévios.

Quais os riscos de não tratar uma estenose carotídea grave e sintomática?

O principal risco é o desenvolvimento de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico, que pode causar sequelas neurológicas permanentes ou ser fatal. A intervenção reduz significativamente esse risco.

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