UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2020
Paciente masculino, 72 anos, portador de angina instável, com indicação de revascularização do miocárdio. Na avaliação pré-operatória, foi identificado uma estenose de carótida interna esquerda de 50 a 69% e, no lado direito, ausência de lesões. Sabendo que o paciente não tinha história de eventos neurológicos prévios, qual a indicação mais correta?
Estenose carotídea assintomática 50-69% + cirurgia cardíaca → tratamento clínico da carótida e revascularização do miocárdio isolada.
Em pacientes com estenose carotídea assintomática de grau moderado (50-69%) que necessitam de revascularização do miocárdio, a estratégia mais segura e recomendada é o tratamento clínico otimizado da doença carotídea, sem intervenção cirúrgica ou endovascular prévia, e proceder apenas com a cirurgia cardíaca.
A coexistência de doença arterial coronariana e doença carotídea é comum, especialmente em pacientes idosos com múltiplos fatores de risco cardiovascular. A avaliação pré-operatória de pacientes com indicação de revascularização do miocárdio frequentemente inclui o rastreamento de estenose carotídea devido ao risco potencial de acidente vascular cerebral (AVC) perioperatório. No entanto, a conduta para estenoses carotídeas assintomáticas, especialmente as de grau moderado (50-69%), em pacientes que serão submetidos à cirurgia cardíaca, é um tema de debate. As diretrizes atuais geralmente recomendam o tratamento clínico otimizado para estenoses assintomáticas de grau moderado. A intervenção carotídea (endarterectomia ou angioplastia com stent) profilática nessas situações não demonstrou reduzir significativamente o risco de AVC perioperatório e pode, inclusive, aumentar o risco de complicações combinadas. A decisão de intervir na carótida antes, durante ou após a cirurgia cardíaca deve ser individualizada, considerando o grau da estenose, a presença de sintomas neurológicos prévios, a anatomia das lesões e o risco cirúrgico do paciente. Para estenoses assintomáticas de 50-69%, a abordagem mais conservadora, com tratamento clínico da doença carotídea e realização isolada da revascularização do miocárdio, é a mais segura e recomendada pela maioria das diretrizes.
O risco de AVC perioperatório em pacientes com estenose carotídea assintomática de 50-69% submetidos à cirurgia cardíaca é relativamente baixo, e a intervenção profilática não demonstrou benefício claro.
A intervenção carotídea (endarterectomia ou angioplastia) é geralmente considerada em estenoses sintomáticas ou em estenoses assintomáticas de alto grau (>70-80%) em centros selecionados, mas não para estenoses moderadas assintomáticas.
O tratamento clínico inclui controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular (hipertensão, dislipidemia, diabetes), uso de antiagregantes plaquetários (aspirina) e estatinas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo