Manejo da Estenose e Oclusão de Carótida Interna

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Leia o caso clínico a seguir: Paciente de 60 anos, com histórico de AVE isquêmico há 3 meses, risco cardiológico e pneumológico baixo. Em investigação realizou Doppler de Carótidas com as seguintes alterações em sua conclusão: • Oclusão de A – Carótida interna direita; • Estenose menor que 50% em A – Carótida interna esquerda. Diante destes resultados, qual é a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Endarterectomia de carótida direita.
  2. B) Angioplastia de artéria carótida interna esquerda.
  3. C) Não operatória e medicamentosa.
  4. D) Embolectomia arterial.

Pérola Clínica

Oclusão total de carótida ou estenose < 50% → Tratamento clínico (antiagregação + estatina).

Resumo-Chave

A oclusão completa da artéria carótida interna não possui indicação cirúrgica (endarterectomia), pois o vaso já está trombosado. Estenoses leves (<50%) também são manejadas clinicamente.

Contexto Educacional

O manejo da doença aterosclerótica carotídea é um pilar da neurologia vascular e cirurgia vascular. A decisão entre intervenção (endarterectomia ou stenting) e tratamento clínico depende fundamentalmente do grau de estenose e da presença de sintomas. O Doppler de carótidas é o exame de triagem inicial, mas em casos limítrofes, a angiotomografia ou angiorressonância podem ser necessárias para confirmar a anatomia. Este caso reforça que a oclusão completa é uma contraindicação técnica para a cirurgia convencional.

Perguntas Frequentes

Por que não operar uma oclusão total de carótida?

A oclusão total da artéria carótida interna (100% de obstrução) geralmente não é passível de revascularização cirúrgica por endarterectomia ou angioplastia. Uma vez que o fluxo está completamente interrompido e o vaso trombosado distalmente, a tentativa de desobstrução acarreta um risco altíssimo de complicações, como o desprendimento de trombos para a circulação cerebral (embolia) ou a síndrome de hiperperfusão cerebral, que pode levar a hemorragias intracranianas graves. O tratamento padrão é a prevenção secundária com antiagregantes plaquetários, estatinas de alta potência e controle rigoroso de fatores de risco cardiovascular.

Qual a indicação de endarterectomia em pacientes sintomáticos?

Em pacientes que apresentaram sintomas neurológicos (AVC ou AIT) nos últimos 6 meses, a endarterectomia carotídea está classicamente indicada quando a estenose da carótida interna está entre 70% e 99%. Para estenoses entre 50% e 69%, o benefício existe, mas é menor, devendo ser individualizado conforme a idade e comorbidades do paciente. Estenoses menores que 50% em pacientes sintomáticos não apresentam benefício comprovado com a intervenção cirúrgica em comparação ao tratamento clínico otimizado.

Como deve ser o tratamento medicamentoso nesses casos?

O tratamento clínico, também chamado de 'Best Medical Therapy', baseia-se na antiagregação plaquetária (geralmente aspirina ou clopidogrel), uso de estatinas para atingir metas rigorosas de LDL (frequentemente < 55 mg/dL em pacientes de muito alto risco), controle da pressão arterial (alvo < 130/80 mmHg), cessação do tabagismo e controle glicêmico em diabéticos. Esse regime visa estabilizar a placa aterosclerótica e prevenir novos eventos isquêmicos tanto no território carotídeo quanto em outros leitos vasculares.

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