HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2020
Paciente branca, de 25 anos apresenta hipertensão arterial severa de início recente. Exames revelam ureia e creatinina normais, potássio sérico baixo (3,0 mEq/L) e EAS normal. Ao exame presença de sopro abdominal. Ultrassonografia mostra rins de aspecto normal, porém com assimetria, medindo o direito 11,8 cm e o esquerdo 9,8 cm. A etiologia mais provável da hipertensão arterial é:
Hipertensão severa + hipocalemia + sopro abdominal + assimetria renal → Estenose de artéria renal.
A estenose de artéria renal é uma causa comum de hipertensão secundária, especialmente em jovens com apresentação atípica. A isquemia renal ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando à hipertensão e hipocalemia. O sopro abdominal e a assimetria renal são pistas importantes.
A estenose de artéria renal é uma causa significativa de hipertensão arterial secundária, respondendo por uma parcela considerável dos casos de hipertensão de difícil controle ou com características atípicas. É crucial para o residente reconhecer os sinais de alerta, pois o tratamento específico pode curar ou melhorar substancialmente a hipertensão. A doença pode ser causada por aterosclerose (mais comum em idosos) ou displasia fibromuscular (mais comum em jovens, como no caso da questão). A fisiopatologia envolve a redução do fluxo sanguíneo renal, que ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). A renina é liberada, convertendo angiotensinogênio em angiotensina I, que por sua vez é convertida em angiotensina II. A angiotensina II é um potente vasoconstritor e estimula a liberação de aldosterona, levando à retenção de sódio e água, e excreção de potássio, resultando em hipertensão e hipocalemia. A suspeita diagnóstica surge com hipertensão severa de início recente, refratária, sopro abdominal, hipocalemia e assimetria renal. O tratamento pode incluir angioplastia com stent ou cirurgia, dependendo da etiologia e da gravidade da estenose. O manejo clínico com anti-hipertensivos, como inibidores da ECA ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), deve ser feito com cautela, pois podem piorar a função renal em pacientes com estenose bilateral ou em rim único. O prognóstico é geralmente bom com o tratamento adequado, mas o atraso no diagnóstico pode levar a danos em órgãos-alvo.
Sinais de alerta incluem hipertensão de início recente e severa em jovens, hipertensão refratária, sopro abdominal, hipocalemia inexplicada e assimetria renal.
A isquemia renal ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando ao aumento da aldosterona, que promove a reabsorção de sódio e excreção de potássio nos túbulos renais, resultando em hipocalemia.
A ultrassonografia pode revelar assimetria renal significativa (diferença > 1,5 cm entre os rins), que é um achado sugestivo de estenose, embora não seja diagnóstica por si só.
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