HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023
Homem de 42 anos, procura o Ambulatório relatando dispneia progressiva a esforços com início há 8 meses; atualmente presente ao andar dois quarteirões no plano. Há três meses, a dispneia é acompanhada por opressão retroesternal de leve intensidade, que desaparece em poucos minutos com o repouso. Há uma semana, ao subir uma ladeira, teve perda de consciência durante alguns segundos, precedida por escurecimento visual. Nega outras comorbidades. Não fuma. Está muito preocupado, pois um de seus irmãos teve morte súbita durante esforço, aos 35 anos. Usa Metoprolol 25 mg ao dia há 6 meses. Ao exame físico, tem FC: 90 bpm e PA 140x80mmHg. Os pulsos carotídeos têm ascenso inicial rápido. À ausculta cardíaca, as bulhas são normofonéticas, com presença de quarta bulha, e ouve-se um sopro mesotelessistólico ejetivo no quarto espaço intercostal, junto ao bordo esternal esquerdo. O ECG mostra sobrecarga de câmaras esquerdas. A radiografia de tórax mostra área cardíaca normal. Em relação ao uso de Metoprolol neste caso, assinale a alternativa correta.
Estenose aórtica grave sintomática (dispneia, angina, síncope) → Betabloqueadores devem ser usados com cautela e em doses baixas.
O paciente apresenta sintomas clássicos de estenose aórtica grave (dispneia, angina, síncope de esforço) e histórico familiar de morte súbita, o que é preocupante. Betabloqueadores como o metoprolol podem ser usados em doses baixas para controlar a frequência cardíaca e a angina, mas devem ser titulados com extrema cautela, pois podem reduzir o débito cardíaco e agravar a síncope em estenose aórtica grave. A síncope pode ter sido agravada pelo metoprolol, mas a suspensão abrupta não é a melhor conduta.
A estenose aórtica é a valvopatia mais comum em adultos, caracterizada pelo estreitamento da valva aórtica, que impede o fluxo sanguíneo adequado do ventrículo esquerdo para a aorta. A etiologia mais comum é degenerativa. Os sintomas clássicos (dispneia, angina, síncope) marcam uma progressão da doença para um estágio grave e estão associados a um prognóstico significativamente pior sem intervenção. O exame físico revela um sopro mesotelessistólico ejetivo, pulsos carotídeos de ascenso rápido (parvus et tardus pode ser tardio), e a presença de quarta bulha indica disfunção diastólica. O ECG pode mostrar sobrecarga de câmaras esquerdas. A síncope de esforço é particularmente preocupante, pois reflete a incapacidade do coração de aumentar o débito cardíaco em resposta à demanda, aumentando o risco de morte súbita. O uso de betabloqueadores em estenose aórtica é controverso e deve ser individualizado. Embora possam aliviar a angina e controlar a frequência cardíaca, doses elevadas podem reduzir o débito cardíaco e agravar a síncope. A dose deve ser cuidadosamente titulada. O tratamento definitivo para estenose aórtica grave sintomática é a substituição valvar aórtica (TAVI ou cirurgia). Residentes devem reconhecer a gravidade dos sintomas e a complexidade do manejo farmacológico.
Os três sintomas clássicos da estenose aórtica grave são dispneia de esforço (insuficiência cardíaca), angina (dor torácica) e síncope (desmaio), especialmente durante o esforço. A presença desses sintomas indica um prognóstico reservado sem intervenção.
A síncope na estenose aórtica é um sinal de mau prognóstico, indicando que o coração não consegue aumentar o débito cardíaco adequadamente durante o esforço, levando à hipoperfusão cerebral. Pode ser precipitada por vasodilatação periférica ou arritmias e aumenta o risco de morte súbita.
Betabloqueadores podem ser usados com cautela em doses baixas para controlar a angina e a frequência cardíaca em pacientes com estenose aórtica, especialmente se houver hipertensão ou taquiarritmias. No entanto, devem ser evitados em doses altas ou em pacientes com disfunção ventricular esquerda, pois podem reduzir o débito cardíaco e agravar os sintomas. O tratamento definitivo para estenose aórtica grave sintomática é a substituição valvar.
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