Estenose Aórtica Grave: Indicação Cirúrgica Urgente

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 38 anos, portador de valvopatia reumática, atualmente em classe funcional III da NYHA (New York Heart Association), é admitido no pronto-atendimento com história de síncope há algumas horas. Encontra-se assintomático no momento, mas a ausculta revela soproejetivo acentuado em focos aórtico e aórtico acessório, com irradiação para o pescoço. Foi realizado ecocardiograma que revelou intensa calcificação valvar aórtica, área valvar = 0,4 cm2 , fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 30% e gradiente VE-AO = 60 mmHg. A conduta correta nesse momento é

Alternativas

  1. A) realizar ecocardiograma com estresse farmacológico com dobutamina.
  2. B) realizar ressonância cardíaca para avaliação miocárdica e definição de conduta.
  3. C) prescrever diurético e manter em seguimento clínico, com repetição de ecocardiograma em 6 meses.
  4. D) internar imediatamente e encaminhar para correção cirúrgica da estenose aórtica.

Pérola Clínica

Estenose aórtica grave sintomática (síncope, CF III, área < 1cm², gradiente > 40mmHg) → Indicação cirúrgica imediata.

Resumo-Chave

Pacientes com estenose aórtica grave (área valvar < 1,0 cm², gradiente médio > 40 mmHg ou velocidade máxima > 4,0 m/s) e sintomáticos (angina, síncope, dispneia) têm indicação de correção cirúrgica da valva aórtica, independentemente da fração de ejeção. A síncope é um sintoma grave que indica mau prognóstico sem intervenção.

Contexto Educacional

A estenose aórtica é uma valvopatia progressiva caracterizada pelo estreitamento da via de saída do ventrículo esquerdo, levando a uma sobrecarga de pressão no VE. Sua etiologia mais comum em adultos é a degenerativa calcífica, mas a valvopatia reumática ainda é relevante em algumas regiões. A importância clínica reside no fato de que, uma vez que os sintomas (angina, síncope, dispneia) se manifestam, o prognóstico sem intervenção é sombrio, com alta mortalidade em 2-5 anos. O diagnóstico é feito principalmente pelo ecocardiograma, que avalia a morfologia valvar, a área valvar, os gradientes de pressão e a função ventricular. Critérios de gravidade incluem área valvar < 1,0 cm², gradiente médio > 40 mmHg e velocidade máxima > 4,0 m/s. A classe funcional da NYHA é crucial para avaliar a gravidade dos sintomas e a capacidade funcional do paciente. A conduta para estenose aórtica grave sintomática é a correção cirúrgica, seja por troca valvar aórtica (TVA) ou, em casos selecionados de alto risco cirúrgico, por implante transcateter de valva aórtica (TAVI). A presença de sintomas é a principal indicação para intervenção, mesmo em pacientes com disfunção ventricular esquerda, pois a remoção da sobrecarga de pressão pode levar à melhora da função cardíaca. O manejo clínico é reservado para pacientes assintomáticos ou com contraindicações à cirurgia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da estenose aórtica grave?

Os sintomas clássicos da estenose aórtica grave são angina, síncope e dispneia (tríade ASD). A presença de qualquer um desses sintomas indica um prognóstico reservado e a necessidade de intervenção.

Qual o critério ecocardiográfico para estenose aórtica grave?

A estenose aórtica é considerada grave quando a área valvar é menor que 1,0 cm², o gradiente médio transvalvar é maior que 40 mmHg ou a velocidade máxima do fluxo é maior que 4,0 m/s.

Por que a síncope em pacientes com estenose aórtica grave é uma emergência?

A síncope na estenose aórtica grave é um sinal de hipoperfusão cerebral durante o esforço, devido à incapacidade do coração de aumentar o débito cardíaco através da valva estenótica. Indica um risco elevado de morte súbita e exige correção imediata.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo