INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Um homem com 50 anos de idade é internado em hospital terciário para investigação diagnóstica e tratamento de quadro caracterizado por dispneia aos moderados esforços. Há relato, ainda, de precordialgia em aperto, com duração de cerca de 5 minutos, precipitada por esforços e aliviada com o repouso, além da ocorrência de 2 episódios de síncope nos últimos 12 meses. Ao realizar exame físico, constatou-se que o paciente se encontra em regular estado geral, corado, acianótico, eupneico, com a cabeceira do leito elevada a 30 graus. Seu ritmo cardíaco é regular, em 3 tempos, com a presença de 4.ª bulha e a existência de um sopro mesossistólico 3+/6+ mais audível no 2.º espaço intercostal direito, na borda esternal; os pulsos arteriais são do tipo parvus et tardus. A ausculta pulmonar apresenta discretos estertores crepitantes em bases. Não há edema de membros inferiores. A radiografia de tórax (PA e perfil) mostra leve dilatação da raiz da aorta, área cardíaca normal e presença de calcificações mitro-aórticas. É solicitado, então, um ecocardiograma transtorácico que revela área valvar aórtica de 0,9 cm² (normal: 3 a 4 cm²), sendo o gradiente ventrículo esquerdo (VE) - aorta de 55 mmHg e velocidade máxima de fluxo transvalvar de 4,5 metros/segundo (normal = inferior a 2m/seg); fração de ejeção do VE é de 52 %. Frente ao processo de avaliação diagnóstica e ao estabelecimento de plano terapêutico neste momento, qual é a conduta médica indicada para o paciente e sua justificativa?
Estenose aórtica grave sintomática (dispneia, angina, síncope) + gradiente VE-aorta > 50 mmHg, área < 1,0 cm² → Indicação de troca valvar aórtica.
O paciente apresenta a tríade clássica de sintomas da estenose aórtica grave (dispneia, angina, síncope), achados de exame físico compatíveis (sopro mesossistólico, pulsos parvus et tardus, 4ª bulha) e critérios ecocardiográficos de gravidade (área valvar < 1,0 cm², gradiente > 40-50 mmHg). A presença de sintomas em estenose aórtica grave é uma indicação formal para troca valvar aórtica.
A estenose aórtica (EA) é a valvopatia mais comum em adultos, caracterizada pelo estreitamento da valva aórtica, que impede o fluxo sanguíneo adequado do ventrículo esquerdo para a aorta. Sua etiologia mais frequente é degenerativa calcífica em idosos, mas pode ser congênita (valva aórtica bicúspide) ou reumática. A progressão da doença leva à sobrecarga de pressão no ventrículo esquerdo, resultando em hipertrofia concêntrica e, eventualmente, disfunção ventricular e insuficiência cardíaca. O diagnóstico é suspeitado pela tríade clássica de sintomas – dispneia, angina e síncope – que indicam doença avançada e mau prognóstico. Ao exame físico, são característicos o sopro mesossistólico ejetivo no foco aórtico, irradiação para o pescoço e pulsos 'parvus et tardus'. O ecocardiograma transtorácico é o método diagnóstico padrão-ouro, avaliando a gravidade da estenose (área valvar, gradientes de pressão e velocidade de fluxo) e a função ventricular esquerda. No caso apresentado, os critérios ecocardiográficos confirmam estenose aórtica grave. Uma vez que a estenose aórtica grave se torna sintomática, o prognóstico é sombrio sem intervenção, com alta mortalidade em 2-3 anos. Não há tratamento farmacológico que altere a história natural da doença. A conduta médica indicada é a troca valvar aórtica (TVA), seja cirúrgica (SAVR) ou transcateter (TAVI), dependendo do risco cirúrgico do paciente. A avaliação do risco cirúrgico é o próximo passo essencial para definir a melhor abordagem terapêutica e melhorar a qualidade de vida e sobrevida do paciente.
Os sintomas clássicos da estenose aórtica grave são a tríade de dispneia aos esforços (insuficiência cardíaca), angina pectoris (dor no peito) e síncope (desmaio). A presença de qualquer um desses sintomas em um paciente com estenose aórtica grave indica um prognóstico reservado sem intervenção.
Ao exame físico, pode-se encontrar um sopro mesossistólico ejetivo rude, mais audível no foco aórtico e irradiando para o pescoço, com irradiação para o ápice (fenômeno de Gallavardin). Os pulsos arteriais são tipicamente 'parvus et tardus' (pequenos e de ascensão lenta), e pode haver a presença de 4ª bulha (B4) devido à hipertrofia ventricular esquerda.
Ecocardiograficamente, a estenose aórtica é considerada grave quando a área valvar aórtica é ≤ 1,0 cm², o gradiente médio de pressão transvalvar é ≥ 40 mmHg ou o gradiente de pico é ≥ 60 mmHg, e a velocidade máxima do fluxo transvalvar é ≥ 4,0 m/s. A presença de sintomas em estenose aórtica grave é uma indicação formal para troca valvar aórtica.
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