SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Paciente masculino, 76 anos, com histórico de dispneia aos esforços moderados, foi internado com quadro de dor torácica e síncope ao realizar esforço. Realizou cateterismo que demonstrou 3 pontes pérvias de cirurgia de revascularização coronária realizada há 2 anos, sem lesões significantes. É diabético mal controlado, em uso irregular de insulina 1,6 U/kg/dia e apresenta claudicação em membros inferiores, ao caminhar cerca de 150 metros. Ex-tabagista de 75 maços/ano, abandonou tabagismo há 2 anos e mantém-se em tratamento para enfisema pulmonar moderado. Ao exame, tem IMC: 33,1 kg/m², PA: 124 x 104mmHg, Pulso regular de 96 bpm com ascensão lenta. Sopro sistólico ejetivo com pico telessitólico mais audível no 2o espaço intercostal próximo à borda esternal direita. Creatinina sérica de 2,3 mg/dL (VR: 0,8-1,3). Eletrocardiograma com hipertrofia ventricular esquerda e padrão de sobrecarga. Ecocardiograma com fração de ejeção de 48%, Pressão sistólica de artéria pulmonar estimada em 50 mmHg, área valvar aórtica de 0,7 cm² e gradiente Ventrículo esquerdo - Aorta de 55 mmHg. LEGENDA: VR: valor de referência; IMC: índice de massa corporal; bpm: batimentos por minuto. Qual a terapêutica preferencial para o paciente nesse momento?
EAo grave sintomática em idoso com múltiplas comorbidades → TAVI é a terapêutica preferencial.
Para pacientes idosos com estenose aórtica grave sintomática e múltiplas comorbidades (como doença renal crônica, DPOC, diabetes mal controlado, doença arterial periférica e disfunção ventricular esquerda), o Implante de Bioprótese Aórtica Transcateter (TAVI) é a terapêutica preferencial devido ao alto risco cirúrgico associado à cirurgia de troca valvar aórtica (SAVR).
A estenose aórtica grave sintomática é uma condição cardíaca progressiva com prognóstico reservado se não tratada. A terapêutica definitiva é a substituição da valva aórtica. Tradicionalmente, a cirurgia de troca valvar aórtica (SAVR) era o padrão-ouro. No entanto, com o avanço das técnicas minimamente invasivas, o Implante de Bioprótese Aórtica Transcateter (TAVI) emergiu como uma alternativa eficaz, especialmente para pacientes com alto risco cirúrgico. O diagnóstico de estenose aórtica grave é feito por ecocardiograma, que avalia a área valvar e os gradientes de pressão. A presença de sintomas como dispneia, dor torácica e síncope aos esforços indica a necessidade de intervenção. A escolha entre SAVR e TAVI depende de uma avaliação multidisciplinar do risco cirúrgico do paciente, considerando idade, comorbidades (como doença renal crônica, DPOC, diabetes, doença arterial periférica) e características anatômicas da valva e aorta. Para pacientes idosos com múltiplas comorbidades, como o caso apresentado, a TAVI oferece vantagens significativas, incluindo menor invasividade, recuperação mais rápida e, em muitos casos, melhores desfechos em comparação com a cirurgia aberta. A reabilitação cardiopulmonar é um componente importante do cuidado pós-procedimento, mas não é o tratamento primário da estenose aórtica.
A estenose aórtica é considerada grave quando a área valvar aórtica é ≤ 1,0 cm² (ou ≤ 0,6 cm²/m² indexada) e/ou o gradiente médio de pressão VE-Aorta é ≥ 40 mmHg, ou o gradiente de pico é ≥ 60 mmHg, com velocidade de pico ≥ 4,0 m/s.
A TAVI (Implante de Bioprótese Aórtica Transcateter) é a terapêutica preferencial para pacientes com estenose aórtica grave sintomática que apresentam alto ou intermediário risco cirúrgico para a cirurgia de troca valvar aórtica (SAVR), ou em pacientes inoperáveis.
Comorbidades como idade avançada, doença renal crônica, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), diabetes mellitus mal controlado, doença arterial periférica, obesidade e disfunção ventricular esquerda são fatores que elevam o risco cirúrgico para SAVR, favorecendo a TAVI.
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