SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2022
Homem de 60 anos evolui com dor precordial constritiva aos esforços associada à síncope. Apresenta limitação da capacidade funcional por dispneia. No exame físico, foi auscultado sopro em foco da base, que, pelas manifestações clínicas e o tipo de sobrecarga verificadas, tem como melhor descrição, respectivamente:
Estenose aórtica grave → tríade clássica (angina, síncope, dispneia), pulso parvus tardus, sopro sistólico em diamante, B4 (sobrecarga de pressão).
A estenose aórtica grave manifesta-se com a tríade clássica de angina, síncope e dispneia aos esforços. No exame físico, o pulso parvus et tardus (pequeno e atrasado) e o sopro sistólico ejetivo em diamante na base são achados característicos, refletindo a sobrecarga de pressão no ventrículo esquerdo, que pode gerar uma B4.
A estenose aórtica é uma valvopatia caracterizada pelo estreitamento da valva aórtica, que impede o fluxo sanguíneo adequado do ventrículo esquerdo para a aorta. É uma doença progressiva, mais comum em idosos devido à calcificação degenerativa. Seus sintomas clássicos – angina, síncope e dispneia aos esforços – indicam doença avançada e são um sinal de alerta para intervenção. A compreensão do exame físico é crucial para o diagnóstico e avaliação da gravidade. No exame físico, o pulso parvus et tardus é um achado patognomônico da estenose aórtica grave, refletindo a baixa amplitude e o atraso na ascensão da onda de pulso devido à obstrução do fluxo. O sopro característico é sistólico, ejetivo, com formato em diamante (crescendo-decrescendo), audível no foco aórtico e com irradiação para as carótidas. A presença de uma quarta bulha (B4) é comum, indicando a contração atrial contra um ventrículo esquerdo hipertrofiado e rígido, uma consequência da sobrecarga de pressão crônica. Para residentes, é fundamental correlacionar os achados clínicos e do exame físico com a fisiopatologia da estenose aórtica. A sobrecarga de pressão leva à hipertrofia ventricular esquerda concêntrica, que inicialmente compensa a obstrução, mas eventualmente resulta em disfunção diastólica e, posteriormente, sistólica. O reconhecimento precoce desses sinais permite o encaminhamento adequado para exames complementares (ecocardiograma) e planejamento terapêutico, que frequentemente envolve a substituição valvar aórtica.
A tríade clássica da estenose aórtica grave inclui angina (dor precordial), síncope (desmaio) e dispneia (falta de ar), especialmente aos esforços. Estes sintomas indicam progressão da doença e mau prognóstico.
O pulso parvus tardus é um pulso de baixa amplitude (parvus) e atrasado (tardus) na sua ascensão. Ele é um achado característico da estenose aórtica grave, refletindo a dificuldade de ejeção do sangue pelo ventrículo esquerdo através da valva estreitada.
A B3 (terceira bulha) está associada à sobrecarga de volume e disfunção sistólica, enquanto a B4 (quarta bulha) está relacionada à sobrecarga de pressão e disfunção diastólica (ventrículo esquerdo rígido). Na estenose aórtica, a B4 é mais comum devido à hipertrofia ventricular esquerda causada pela sobrecarga de pressão.
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