TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Paciente do sexo masculino, 77 anos, apresenta queixa de sincope aos esforços. Ao exame físico, apresentava sopro sistólico em diamante com pulso arterial Parvus et Tardus. Qual o diagnóstico provável?
Síncope + sopro sistólico em diamante + pulso parvus et tardus = Estenose Aórtica.
A estenose aórtica grave apresenta-se classicamente com a tríade de síncope, angina e dispneia, refletindo a obstrução fixa ao fluxo de saída do ventrículo esquerdo.
A estenose aórtica é a valvulopatia mais comum em idosos em países desenvolvidos, geralmente de etiologia degenerativa/calcificada. A fisiopatologia envolve a sobrecarga de pressão crônica no ventrículo esquerdo, levando à hipertrofia concêntrica para manter o débito cardíaco. Com o tempo, a complacência ventricular diminui e a reserva coronariana é comprometida, resultando nos sintomas clássicos. O diagnóstico clínico é altamente sugestivo através da ausculta e palpação do pulso, devendo ser confirmado pelo ecocardiograma transtorácico para quantificação da área valvar e gradientes pressóricos.
Os sintomas clássicos da estenose aórtica grave são síncope (geralmente aos esforços), angina de peito e dispneia (manifestação de insuficiência cardíaca). O surgimento desses sintomas marca uma mudança drástica no prognóstico do paciente, indicando a necessidade de intervenção valvar, pois a sobrevida média cai significativamente após o início das manifestações clínicas.
O pulso parvus et tardus é caracterizado por uma amplitude reduzida (parvus) e uma ascensão lenta (tardus) da onda de pulso arterial. Ele é um achado físico patognomônico da estenose aórtica grave, resultando da dificuldade do ventrículo esquerdo em ejetar o sangue através de uma valva estenosada e calcificada.
O sopro é sistólico, do tipo ejetivo, com configuração em diamante (crescendo-decrescendo). Ele é melhor audível no foco aórtico (segundo espaço intercostal direito) e classicamente irradia para as artérias carótidas. Em idosos, pode ocorrer o fenômeno de Gallavardin, onde o componente de alta frequência do sopro é melhor ouvido no ápice cardíaco.
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