Estenose Aórtica Grave: Diagnóstico e Tratamento

UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 62 anos é levado por sua filha ao serviço de urgência referindo fortes dores no peito e desmaio após ajudar sua esposa a arrastar o sofá. Há cerca de 6 meses vem apresentando tonturas e escurecimento das vistas, que o obrigam a sentar, acarretando assim melhora dos sintomas. Refere HAS há 40 anos, atualmente em uso de Losartana 50mg 12/12 horas. Exame físico: PA 150/90 mmHg, FC 96 bpm, bulhas rítmicas com sopro mesossistólico e fenômeno de Gallavardin. Eletrocardiograma revela sinal de SokolowLyon, ecocardiograma apresenta área valvar aórtica <= 0,8cm². O diagnóstico mais provável e a conduta, neste caso, são:

Alternativas

  1. A) coarctação de aorta: stent vascular.
  2. B) estenose aórtica: troca valvar.
  3. C) insuficiência aórtica: plastia valvar.
  4. D) refluxo Tricúspide: betabloqueador.
  5. E) sinal de Musset: bloqueador do canal de cálcio. 

Pérola Clínica

EAo grave: tríade síncope/angina/dispneia de esforço + sopro mesossistólico + área valvar <0,8cm² → troca valvar.

Resumo-Chave

A estenose aórtica grave manifesta-se classicamente pela tríade de síncope, angina e dispneia de esforço. O sopro mesossistólico com irradiação para o ápice (fenômeno de Gallavardin) e achados eletrocardiográficos de hipertrofia ventricular esquerda (Sokolow-Lyon) são indicativos. O ecocardiograma confirma a gravidade com área valvar reduzida, e a conduta definitiva é a troca valvar.

Contexto Educacional

A estenose aórtica (EAo) é a valvopatia mais comum em adultos, caracterizada pelo estreitamento da valva aórtica, que impede o fluxo sanguíneo adequado do ventrículo esquerdo para a aorta. Sua etiologia mais comum em idosos é a degeneração calcífica, enquanto em jovens pode ser congênita (valva aórtica bicúspide). A EAo grave é uma condição progressiva que, se não tratada, leva a alta mortalidade uma vez que os sintomas se manifestam. A fisiopatologia da EAo envolve um aumento da pós-carga no ventrículo esquerdo, levando à hipertrofia concêntrica para manter o débito cardíaco. Com o tempo, essa hipertrofia pode evoluir para disfunção ventricular e insuficiência cardíaca. O diagnóstico é feito pela história clínica (tríade de síncope, angina e dispneia de esforço), exame físico (sopro mesossistólico e fenômeno de Gallavardin) e confirmado por ecocardiograma, que avalia a área valvar e os gradientes de pressão. O tratamento definitivo para a estenose aórtica grave sintomática é a troca valvar aórtica, que pode ser cirúrgica (TVAo) ou percutânea (TAVI), dependendo do risco cirúrgico do paciente e outras comorbidades. A intervenção melhora significativamente a qualidade de vida e a sobrevida. Residentes devem estar aptos a identificar precocemente a EAo grave e encaminhar o paciente para avaliação especializada.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da estenose aórtica grave?

A estenose aórtica grave é caracterizada pela tríade clássica de síncope (especialmente de esforço), angina (dor torácica) e dispneia (falta de ar) de esforço. Esses sintomas indicam progressão da doença e mau prognóstico se não tratada.

O que é o fenômeno de Gallavardin e qual sua importância na estenose aórtica?

O fenômeno de Gallavardin é a irradiação do sopro mesossistólico da estenose aórtica para o ápice cardíaco, onde pode ser confundido com um sopro de insuficiência mitral. Sua presença reforça o diagnóstico de estenose aórtica, indicando um sopro de alta frequência que se propaga.

Quando a troca valvar aórtica é indicada em pacientes com estenose aórtica?

A troca valvar aórtica é indicada para pacientes com estenose aórtica grave sintomática, independentemente da fração de ejeção do ventrículo esquerdo. Em pacientes assintomáticos, a indicação pode ser baseada em achados ecocardiográficos de disfunção ventricular ou progressão rápida da doença.

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