Estenose Aórtica e Insuficiência Cardíaca Congestiva

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015

Enunciado

Sr. Pedro 70 anos procurou o consultório queixando-se de "falta de ar e cansaço" iniciado nas últimas quatro semanas e agravada quando caminha cerca de 20 m. Tem apresentado dificuldade para dormir, necessitando se apoiar em dois travesseiros. Às vezes acorda à noite com muita falta de ar, que regride em minutos ao sentar-se com as pernas para fora da cama. Também notou que as pernas incham. No exame físico está com FC de 92 bpm, PA de 105 x 64 mmHg, afebril, FR de 22 irpm. O ritmo cardíaco é regular, B1 normal, desdobramento da segunda bulha durante a expiração, B4 no foco mitral, sopro telessistólico na borda superior direita do esterno que se irradia para as carótidas. O pulso tem amplitude diminuída. A ausculta pulmonar revela estertores crepitantes inspiratórios nas bases. Assinale a alternativa CORRETA, quanto ao diagnóstico sindrômico.

Alternativas

  1. A) Asma "cardíaca", possivelmente como complicação de isquemia miocárdica. 
  2. B) Insuficiência cardíaca descompensada, decorrente de insuficiência aórtica. 
  3. C) Insuficiência cardíaca aguda como resultado de fibrose miocárdica senil.
  4. D) Insuficiência cardíaca congestiva como resultado de estenose aórtica.
  5. E) Insuficiência direita como consequência da hipertensão pulmonar.

Pérola Clínica

Dispneia, ortopneia, DPN, edema + sopro telessistólico irradiando para carótidas + pulso parvus et tardus → ICC por estenose aórtica.

Resumo-Chave

O quadro clínico do Sr. Pedro, com sintomas de insuficiência cardíaca esquerda (dispneia, ortopneia, DPN, estertores) e direita (edema), associado a achados de exame físico como sopro telessistólico com irradiação para carótidas, pulso de baixa amplitude (parvus et tardus) e B4, é altamente sugestivo de estenose aórtica grave descompensada em insuficiência cardíaca congestiva.

Contexto Educacional

A estenose aórtica é a valvopatia mais comum em idosos, frequentemente de etiologia degenerativa. Sua progressão leva a uma sobrecarga de pressão no ventrículo esquerdo, que inicialmente compensa com hipertrofia. No entanto, com o tempo, essa compensação falha, culminando em disfunção ventricular e insuficiência cardíaca congestiva (ICC), um quadro clínico grave e com alta mortalidade se não tratado. Para o residente, é fundamental reconhecer a apresentação clínica e os achados do exame físico. O paciente apresenta sintomas clássicos de ICC, como dispneia de esforço progressiva, ortopneia (dificuldade para dormir sem travesseiros elevados) e dispneia paroxística noturna (acordar com falta de ar), indicando congestão pulmonar. O edema de membros inferiores sugere falência ventricular direita secundária ou biventricular. No exame físico, o sopro telessistólico na borda superior direita do esterno com irradiação para as carótidas é patognomônico da estenose aórtica. O pulso de amplitude diminuída e lento (pulso "parvus et tardus") reforça o diagnóstico. A presença de B4 indica hipertrofia ventricular esquerda e disfunção diastólica. Estertores crepitantes nas bases pulmonares confirmam a congestão pulmonar. O diagnóstico sindrômico de insuficiência cardíaca congestiva secundária à estenose aórtica é crucial, pois a estenose aórtica grave sintomática tem um prognóstico sombrio sem intervenção. O tratamento definitivo é a substituição valvar aórtica (cirúrgica ou TAVI), que pode reverter ou melhorar significativamente os sintomas de ICC e a sobrevida. A identificação precoce desses sinais e sintomas permite o encaminhamento adequado e a melhora do prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da estenose aórtica grave?

A tríade clássica da estenose aórtica grave é dispneia (principalmente de esforço), angina (dor torácica) e síncope (desmaios), que indicam um prognóstico reservado se não tratada.

Quais achados no exame físico sugerem estenose aórtica?

No exame físico, a estenose aórtica é sugerida por um sopro sistólico ejetivo em diamante, mais audível no foco aórtico (2º EICD), com irradiação para as carótidas, pulso de baixa amplitude e lento (parvus et tardus), desdobramento paradoxal da segunda bulha e, em casos avançados, B4.

Como a estenose aórtica leva à insuficiência cardíaca?

A estenose aórtica impõe uma sobrecarga de pressão ao ventrículo esquerdo, que precisa gerar pressões muito altas para ejetar o sangue. Isso leva à hipertrofia ventricular esquerda compensatória, mas com o tempo, o ventrículo falha, resultando em disfunção sistólica e diastólica, e consequentemente, insuficiência cardíaca.

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