Estenose Aórtica: Diagnóstico Clínico e Sinais Chave

UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2020

Enunciado

P.P.M, 64 anos, sexo feminino, procura atendimento referindo dispneia aos esforços, angina e episódios recorrentes de síncope. Ao exame físico, observa-se frêmito palpável sobre as carótidas, íctus cordis na linha axilar anterior, no oitavo espaço intercostal ausculta mostra sopro sistólico, que se inicia logo após a primeira bulha, atingindo seu ápice no meio da fase de ejeção e que irradia para cima, acompanhando o trajeto das carótidas. Eletrocardiograma mostra depressão do segmento ST e inversão de onda T nas derivações D1, aVL e derivações precordiais esquerdas. O provável diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) Insuficiência pulmonar.
  2. B) Estenose aórtica.
  3. C) Estenose mitral.
  4. D) Estenose tricúspide.

Pérola Clínica

Tríade dispneia, angina, síncope + sopro sistólico ejetivo irradiando para carótidas + ictus deslocado → Estenose Aórtica.

Resumo-Chave

A estenose aórtica grave é caracterizada pela tríade clássica de dispneia, angina e síncope, que indicam doença avançada e mau prognóstico. O sopro sistólico ejetivo com irradiação para as carótidas é um achado patognomônico, e o ictus deslocado reflete a hipertrofia ventricular esquerda compensatória.

Contexto Educacional

A estenose aórtica (EA) é a valvopatia mais comum em adultos, caracterizada pelo estreitamento da valva aórtica, que obstrui o fluxo sanguíneo do ventrículo esquerdo para a aorta. Sua importância clínica é imensa, pois a EA grave sintomática tem um prognóstico sombrio sem intervenção, com alta mortalidade. A etiologia mais comum em idosos é a degenerativa calcífica, enquanto em jovens pode ser congênita (valva aórtica bicúspide). A fisiopatologia envolve um aumento da pós-carga ventricular esquerda, levando à hipertrofia concêntrica do ventrículo esquerdo para manter o débito cardíaco. Com o tempo, essa hipertrofia se torna desadaptativa, resultando em disfunção diastólica e, eventualmente, sistólica. O diagnóstico é fortemente sugerido pela tríade clássica de sintomas (dispneia aos esforços, angina e síncope), que indicam doença avançada. Ao exame físico, o sopro sistólico ejetivo em crescendo-decrescendo, audível no foco aórtico e irradiando para as carótidas, é um achado chave, frequentemente acompanhado de frêmito carotídeo e ictus cordis desviado. O ECG pode mostrar sinais de hipertrofia ventricular esquerda e isquemia. O tratamento definitivo para a estenose aórtica grave sintomática é a substituição da valva aórtica, seja por cirurgia (TAVI) ou por via transcateter (TAVI), dependendo do risco cirúrgico do paciente. O manejo clínico é paliativo e visa controlar os sintomas até a intervenção. O prognóstico é excelente após a substituição valvar, mas a doença não tratada tem uma sobrevida média de 2-3 anos após o início dos sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais são os três sintomas clássicos da estenose aórtica grave e o que eles indicam?

A tríade clássica é dispneia (insuficiência cardíaca), angina (isquemia miocárdica por hipertrofia) e síncope (baixa perfusão cerebral). Sua presença indica doença avançada e pior prognóstico.

Como o sopro da estenose aórtica se apresenta e qual sua irradiação característica?

O sopro é sistólico, ejetivo, em crescendo-decrescendo, audível no foco aórtico (2º EIC direito) e irradia tipicamente para as carótidas, podendo ser acompanhado de frêmito.

Por que o ictus cordis pode estar deslocado na estenose aórtica?

O ictus cordis pode estar deslocado para a esquerda e para baixo devido à hipertrofia ventricular esquerda (HVE) compensatória, que se desenvolve para superar a obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo.

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