HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Homem de 47 anos foi submetido a hemorroidectomia aberta por doença hemorroidária grau III pela técnica de Milligan-Morgan. Evoluiu bem no pós-operatório imediato. Entretanto, cerca de 4 semanas após a cirurgia, passou a apresentar evacuações progressivamente difíceis, fezes afiladas e dor anal persistente. O mecanismo mais provavelmente responsável por esse quadro é a:
Fezes afiladas + dor 4 semanas após Milligan-Morgan = Estenose Anal por ressecção excessiva de mucosa.
A estenose anal é uma complicação tardia da hemorroidectomia causada pela perda das pontes cutaneomucosas, resultando em fibrose cicatricial circular.
A hemorroidectomia de Milligan-Morgan é considerada o padrão-ouro para hemorroidas de graus III e IV, mas exige precisão técnica. A cicatrização por segunda intenção das feridas abertas depende da integridade do epitélio adjacente para a reepitelização. Quando a área denudada é muito vasta, o processo de contração da ferida e a deposição de colágeno levam à estenose. O tratamento inicial pode envolver dilatadores anais, mas casos graves frequentemente requerem anoplastias (como o retalho de avanço em 'Y-V').
A causa principal é a ressecção excessiva de pele e mucosa anorretal durante o procedimento. Na técnica aberta de Milligan-Morgan, é fundamental deixar 'pontes' de tecido íntegro entre os leitos cirúrgicos das hemorroidas ressecadas. Se essas pontes forem muito estreitas ou removidas, as feridas se fundem durante a cicatrização, formando um anel fibrótico inelástico que estreita o lúmen do canal anal, resultando em estenose.
Os pacientes geralmente apresentam sintomas entre 4 a 8 semanas após a cirurgia. As queixas principais incluem dificuldade progressiva para evacuar (disquezia), necessidade de esforço excessivo, dor anal persistente durante e após a evacuação, e afilamento das fezes. Ao exame físico, o toque retal pode ser impossível ou revelar um anel fibroso rígido que impede a progressão do dedo.
A prevenção baseia-se na técnica cirúrgica meticulosa. O cirurgião deve identificar os três coxins hemorroidários principais e realizar ressecções isoladas, garantindo que as pontes de pele e mucosa entre as incisões tenham pelo menos 1 cm de largura. Em casos de doença circunferencial, deve-se evitar a ressecção de todo o tecido em um único tempo cirúrgico ou optar por técnicas que preservem mais a mucosa, como o PPH ou desarterialização.
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