Estenoplastia na Doença de Crohn: Indicações e Limites

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Pode-se afirmar que, em uma paciente com doença de Crohn, é contraindicacão para o procedimento cirúrgico de estenoplastia:

Alternativas

  1. A) 5 estenoses < de 2 cm, distantes entre si no íleo.
  2. B) Uso de infliximabe.
  3. C) Múltiplas estenoses em um segmento curto.
  4. D) Necessidade de ressecção em outro segmento no cólon ou íleo.

Pérola Clínica

Estenoplastia no Crohn: Ideal para estenoses longas/múltiplas em delgado; Contraindicada em múltiplas estenoses em segmento curto.

Resumo-Chave

A estenoplastia visa preservar o comprimento intestinal em pacientes com Crohn, evitando a síndrome do intestino curto. No entanto, se houver múltiplas estenoses em um segmento curto, a ressecção segmentar é mais eficiente e segura.

Contexto Educacional

A Doença de Crohn é uma condição inflamatória transmural que frequentemente evolui com estenoses fibróticas, levando a quadros de obstrução intestinal. Como a doença é recorrente e pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, a preservação da extensão do intestino delgado é uma prioridade cirúrgica para evitar a síndrome do intestino curto. A estenoplastia surgiu como uma alternativa eficaz às ressecções repetidas, permitindo a desobstrução do lúmen sem remover segmentos intestinais. Existem diversas técnicas, sendo a de Heineke-Mikulicz para estenoses curtas e a de Finney para estenoses de comprimento intermediário (10-15 cm). A escolha entre ressecção e estenoplastia depende da localização, do comprimento da estenose e da presença de complicações associadas. Em casos de múltiplas estenoses concentradas em um segmento curto, a ressecção segmentar única é preferível, pois simplifica o procedimento e remove uma área de doença densa que provavelmente não se beneficiaria de múltiplas suturas próximas, as quais poderiam comprometer a vascularização local.

Perguntas Frequentes

O que é a técnica de Heineke-Mikulicz na estenoplastia?

A técnica de Heineke-Mikulicz é a forma mais comum de estenoplastia, indicada para estenoses curtas (geralmente menores que 5 a 7 cm) no intestino delgado de pacientes com Doença de Crohn. O procedimento consiste em uma incisão longitudinal sobre a área estenosada, estendendo-se cerca de 2 cm para o tecido saudável em ambas as extremidades, seguida de um fechamento transversal. Essa manobra aumenta o lúmen intestinal sem a necessidade de ressecção tecidual, sendo fundamental para prevenir a síndrome do intestino curto em pacientes que necessitam de múltiplas intervenções cirúrgicas ao longo da vida.

Quais são as contraindicações absolutas para estenoplastia?

As contraindicações para a realização de estenoplastia na Doença de Crohn incluem: presença de fleimão ou abscesso na área da estenose, perfuração intestinal com peritonite, suspeita de malignidade (adenocarcinoma) no local da estenose, e múltiplas estenoses em um segmento muito curto (onde a ressecção é mais prática). Além disso, estenoses em locais com hipoalbuminemia grave ou desnutrição extrema podem apresentar alto risco de deiscência de sutura. A técnica também não é recomendada para estenoses muito longas (acima de 20 cm), onde técnicas como a de Michelassi seriam mais apropriadas, ou quando há fístulas complexas originando-se do segmento estenosado.

Como o uso de Infliximabe afeta a cirurgia de Crohn?

O uso de terapias biológicas, como o Infliximabe (anti-TNF), no período perioperatório da Doença de Crohn é um tema de debate. Embora alguns estudos sugiram um risco ligeiramente aumentado de complicações infecciosas pós-operatórias, o uso de biológicos não é uma contraindicação para a cirurgia, incluindo a estenoplastia. A recomendação atual é individualizar o caso, considerando o estado nutricional do paciente e a dose de corticoides associada, que é um fator de risco muito mais estabelecido para complicações de sutura. Em pacientes estáveis, a cirurgia pode ser realizada com segurança, muitas vezes permitindo a redução da carga inflamatória para melhor resposta futura aos biológicos.

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