SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Paciente, sexo masculino, 30 anos, acompanhado em ambulatório especializado em Doença Inflamatória Intestinal por Doença de Crohn, com diagnóstico há 10 anos e em uso de imunobiológico. Submetido a duas cirurgias prévias com enterectomias. Chegou ao pronto-socorro com queixa de distensão e dor abdominal em cólica, vômitos amarelados e diminuição da eliminação de flatos. Foi passada uma sonda nasogástrica descompressiva e referido a um serviço terciário. Foi instituído tratamento clínico e solicitada entero tomografia que evidenciou múltiplas estenoses curtas (< 10 cm) sugestivas de fibrose crônica em segmentos de intestino delgado, sem alterações no cólon. Mediante melhora apenas parcial dos sintomas, foi solicitada avaliação cirúrgica. Com base na situação clínica exposta, qual a estratégia cirúrgica ideal?
Doença de Crohn com múltiplas estenoses curtas e enterectomias prévias → estenoplastias para preservar intestino.
Em pacientes com Doença de Crohn e múltiplas estenoses fibrosas curtas, especialmente com histórico de ressecções intestinais prévias, a estenoplastia é a abordagem cirúrgica preferencial para preservar o comprimento do intestino e evitar a síndrome do intestino curto.
A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, com manifestações que incluem inflamação, fístulas e estenoses. As estenoses são complicações comuns, resultantes de fibrose crônica, e podem levar a quadros obstrutivos. O manejo cirúrgico é frequentemente necessário para aliviar a obstrução e melhorar a qualidade de vida do paciente. A escolha da estratégia cirúrgica para estenoses na Doença de Crohn depende de múltiplos fatores, incluindo o comprimento e número das estenoses, a presença de doença ativa ou fístulas, e o histórico de cirurgias prévias. A estenoplastia (ou estricturoplastia) é uma técnica conservadora que visa alargar o lúmen intestinal sem remover segmentos, sendo ideal para estenoses curtas e fibrosas, especialmente em pacientes com alto risco de síndrome do intestino curto devido a ressecções anteriores. É crucial diferenciar as indicações. Ressecções intestinais são preferíveis para estenoses longas, doença inflamatória ativa, fístulas complexas ou displasia. O bypass é uma opção para doença extensa ou em pacientes muito debilitados. A estenoplastia, ao preservar o intestino, minimiza o risco de má absorção e desnutrição, sendo uma ferramenta valiosa no arsenal terapêutico da Doença de Crohn.
A estenoplastia é indicada para estenoses curtas (<10 cm), fibrosas, sem doença ativa ou fístulas, especialmente em pacientes com múltiplas ressecções prévias para evitar a síndrome do intestino curto.
As alternativas incluem ressecção e anastomose para estenoses mais longas ou complicadas, e bypass em casos selecionados de doença extensa ou inoperável.
Pacientes com múltiplas ressecções intestinais devido à Doença de Crohn têm alto risco de desenvolver síndrome do intestino curto, uma condição grave de má absorção.
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