Esteatose Hepática: Rastreamento da Síndrome Metabólica

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mulher de 65 anos, com desconforto sob a costela direita há 2 meses, sem dor. AP: Nos últimos 7 anos, engordou 12 kg. Pré-diabética e hipertensa (sic). Não controla e nem usa remédios. Bebe uma lata de cerveja nos finais de semana e usou anticoncepcional até os 40 anos. Exame físico: Peso 92 kg, altura 1,65 m, PA 160 x 100 mmHg, FC 92 bpm, BEG, circunferência abdominal 104 cm, sem edemas, fígado palpável a 5 cm do RCD, tenso, rombo, sensível ao toque. Baço palpável a 3 cm RCE. Ultrassom de abdome: esteatose hepática. A conduta é

Alternativas

  1. A) iniciar tratamento farmacológico para diminuir a progressão para fibrose ou cirrose.
  2. B) realizar biópsia hepática, pois é a única maneira de avaliar a presença de esteatose e processo inflamatório, fibrose ou mesmo cirrose e hepatocarcinoma.
  3. C) rastrear síndrome metabólico, independentemente dos valores de enzimas hepáticas.
  4. D) realizar biópsia hepática para confirmar a etiologia e gravidade da lesão.

Pérola Clínica

Esteatose hepática + fatores de risco = rastrear síndrome metabólica, mesmo com enzimas normais.

Resumo-Chave

A paciente apresenta múltiplos fatores de risco para Síndrome Metabólica (obesidade, pré-diabetes, hipertensão não controlada) e esteatose hepática. A esteatose hepática não alcoólica (NAFLD) é a manifestação hepática da síndrome metabólica. Portanto, o rastreamento completo da síndrome metabólica é imperativo, independentemente dos níveis de enzimas hepáticas, que podem estar normais mesmo em casos de esteato-hepatite ou fibrose inicial.

Contexto Educacional

A esteatose hepática não alcoólica (NAFLD) é a doença hepática crônica mais comum no mundo ocidental, afetando cerca de 25% da população adulta. Ela abrange um espectro de condições, desde esteatose simples até esteato-hepatite não alcoólica (NASH), fibrose, cirrose e hepatocarcinoma. Sua importância clínica reside na forte associação com a síndrome metabólica e o risco cardiovascular. A paciente do caso clínico apresenta múltiplos fatores de risco para síndrome metabólica: obesidade (IMC > 30 kg/m²), pré-diabetes e hipertensão arterial não controlada. A esteatose hepática é frequentemente a manifestação hepática da resistência à insulina, um componente central da síndrome metabólica. A fisiopatologia envolve o acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos, que pode levar à inflamação (NASH) e fibrose. A conduta inicial em pacientes com esteatose hepática e fatores de risco para síndrome metabólica é o rastreamento completo de todos os seus componentes, independentemente dos valores das enzimas hepáticas. O manejo inclui modificações no estilo de vida (dieta e exercício), controle rigoroso da glicemia, pressão arterial e dislipidemia. A biópsia hepática é reservada para casos selecionados, quando há dúvida diagnóstica ou para estadiamento da fibrose em pacientes com alto risco de progressão.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre esteatose hepática e síndrome metabólica?

A esteatose hepática não alcoólica (NAFLD) é considerada a manifestação hepática da síndrome metabólica, sendo fortemente associada a obesidade, resistência à insulina, dislipidemia e hipertensão.

Por que rastrear a síndrome metabólica mesmo com enzimas hepáticas normais?

As enzimas hepáticas podem estar normais em pacientes com NAFLD, inclusive na presença de esteato-hepatite (NASH) ou fibrose. O rastreamento da síndrome metabólica é crucial para identificar e manejar todos os componentes do risco cardiovascular e hepático.

Quais são os componentes da síndrome metabólica a serem rastreados?

Os componentes incluem obesidade abdominal, hipertensão arterial, dislipidemia (triglicerídeos elevados, HDL baixo) e hiperglicemia (glicemia de jejum alterada ou diabetes).

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