SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Paciente de 4 anos é atendido no ambulatório com queixa de diarreia há seis meses. Apresenta de 4 a 6 evacuações por dia, fezes que variam de aquosas para semilíquidas com algum conteúdo de muco e, às vezes, restos alimentares. O paciente não apresenta outros sintomas associados e tem boa aceitação alimentar. Chegou a ser tratado como verminose, mas o parasitológico de fezes foi negativo. Há três meses, a mãe foi orientada a trocar o leite para o sem lactose, mas não houve mudanças. A criança está com peso, estatura e velocidade de crescimento adequados para a idade e exame físico normal. Em relação ao caso clínico descrito e aos conhecimentos médicos relacionados, julgue o item a seguir.Fezes aquosas, claras e de odor pútrido são alterações comum em casos de esteatorreia.
Esteatorreia = fezes volumosas, claras, gordurosas e de odor fétido/pútrido.
A esteatorreia reflete a má absorção de lipídios, resultando em fezes com aspecto oleoso, pálidas e odor característico devido à ação bacteriana sobre gorduras não digeridas.
A esteatorreia é um sinal clínico de alerta para insuficiência pancreática exócrina ou doenças da mucosa do intestino delgado. Em pediatria, as causas mais comuns incluem a fibrose cística e a doença celíaca. O diagnóstico inicial é clínico, baseado na anamnese e inspeção das fezes, podendo ser confirmado por testes como a dosagem de gordura fecal (Van de Kamer) ou elastase pancreática fecal. No caso clínico apresentado, embora a criança tenha crescimento normal, a descrição das fezes (aquosas, claras e pútridas) é compatível com a definição semiológica de esteatorreia. É fundamental que o médico residente saiba identificar esses padrões para direcionar a investigação laboratorial, evitando tratamentos empíricos ineficazes para parasitoses ou intolerâncias alimentares sem evidência.
A esteatorreia caracteriza-se por fezes volumosas, de coloração clara (pálidas), aspecto gorduroso ou oleoso (podendo brilhar ou deixar gotas de óleo no vaso sanitário) e odor extremamente fétido ou pútrido. Isso ocorre porque a gordura não absorvida no intestino delgado sofre ação de bactérias colônicas, gerando ácidos graxos de cadeia curta e gases com odor forte.
Na diarreia funcional (diarreia do lactente), a criança apresenta fezes amolecidas com restos alimentares, mas mantém crescimento e ganho de peso normais, sem sinais de desnutrição. Já na esteatorreia por má absorção (como na Fibrose Cística ou Doença Celíaca), geralmente há déficit pôndero-estatural associado, embora em fases iniciais o exame físico possa ser normal.
O odor pútrido é um marcador clínico importante de má absorção, especialmente de gorduras e proteínas. Resulta da fermentação e putrefação de nutrientes não digeridos pela microbiota intestinal. É um sinal clássico que ajuda a diferenciar diarreias osmóticas simples de síndromes disabsortivas mais complexas.
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