Esteatohepatite Não Alcoólica: Diagnóstico Diferencial Essencial

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Uma mulher de 46 anos e assintomática procura atendimento médico por excesso de peso. Apresenta história familiar positiva para diabete melito tipo 2. Ao exame físico: peso = 72 kg, altura = 1,50m, circunferência da cintura = 92 cm; pressão arterial = 150 x 92 mmHg. Acantose nigricante cervical. Sem estigmas da síndrome de Cushing. Exames laboratoriais (sangue): TSH = 1,0 mU/L (normal: 0,4-4,0); T4 livre: 1,1 ng/dl (normal: 0,8-1,8); Glicose = 130 mg/dl; Colesterol = 200mg/dl; Triglicerídeos = 200mg/dl; Colesterol-HDL = 36 mg/dl; Colesterol-LDL = 124mg/dl; Aspartatoaminotransferase = 60 UI/L (normal: 12-38); Alanina aminotransferase = 80 UI/L (normal 7-41); ferritina: 450 microgramas/L (normal: 24 a 155); sorologias para hepatite B e C negativas. Uma semana depois realizou dosagem de glicemia de jejum = 102 mg/dl e de hemoglobina glicada = 6,7%. Feito o diagnóstico provável de esteatohepatite não alcoólica. Ainda em relação à questão 41, todas alternativas abaixo contêm exames úteis para o diagnóstico diferencial do quadro apresentado pela paciente, EXCETO

Alternativas

  1. A) anticorpos antigliadina séricos.
  2. B) anticorpos antinucleares séricos.
  3. C) anticorpos anti-LKM1 séricos.
  4. D) Alfa1-antitripsina sérica.

Pérola Clínica

NAFLD com enzimas hepáticas elevadas → excluir causas secundárias de doença hepática crônica. Anticorpos antigliadina não são primários.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro de síndrome metabólica com provável esteatohepatite não alcoólica (NAFLD). A elevação das transaminases e ferritina exige a exclusão de outras causas de doença hepática crônica, como hepatites autoimunes, hemocromatose e deficiência de alfa-1 antitripsina. Anticorpos antigliadina são para doença celíaca, que, embora possa cursar com elevação de transaminases, não é o principal diferencial neste contexto metabólico.

Contexto Educacional

A esteatohepatite não alcoólica (NAFLD) é uma condição comum, frequentemente associada à síndrome metabólica, incluindo obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemia e hipertensão. Sua prevalência tem aumentado globalmente, tornando-a uma das principais causas de doença hepática crônica e cirrose. O diagnóstico é de exclusão, exigindo a investigação de outras etiologias de doença hepática. É fundamental que residentes saibam identificar os fatores de risco e os achados clínicos que sugerem NAFLD, como acantose nigricans e elevação de transaminases. O processo diagnóstico envolve a exclusão de outras causas de hepatopatia. Exames como sorologias para hepatites virais, autoanticorpos (FAN, anti-LKM1) para hepatite autoimune, dosagem de alfa-1 antitripsina e marcadores de metabolismo do ferro (ferritina, saturação de transferrina) são essenciais. A biópsia hepática é o padrão-ouro para diferenciar esteatose simples de esteatohepatite (NASH) e para avaliar o grau de fibrose, embora métodos não invasivos estejam ganhando espaço. O tratamento da NAFLD foca na modificação do estilo de vida, incluindo perda de peso, dieta saudável e exercícios físicos, para controlar os componentes da síndrome metabólica. Em casos selecionados, podem ser utilizadas medicações como vitamina E ou pioglitazona. O prognóstico depende do grau de fibrose hepática, sendo a NASH com fibrose um fator de risco significativo para progressão para cirrose, carcinoma hepatocelular e necessidade de transplante hepático. O manejo multidisciplinar é crucial para otimizar os resultados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais diagnósticos diferenciais da esteatohepatite não alcoólica (NAFLD)?

Os principais diagnósticos diferenciais da NAFLD incluem outras causas de doença hepática crônica, como hepatites virais (B e C), hepatite autoimune, hemocromatose, doença de Wilson, deficiência de alfa-1 antitripsina e doença hepática induzida por drogas ou álcool. É crucial descartar essas condições antes de firmar o diagnóstico de NAFLD.

Quando devo suspeitar de hepatite autoimune em um paciente com elevação de transaminases?

A hepatite autoimune deve ser suspeitada em pacientes com elevação persistente de transaminases, especialmente se houver presença de autoanticorpos (como FAN, anti-LKM1, anti-músculo liso) e exclusão de outras causas comuns de doença hepática. A biópsia hepática é frequentemente necessária para confirmação diagnóstica.

Qual o papel da ferritina elevada no contexto de NAFLD?

A ferritina pode estar elevada na NAFLD devido à inflamação e resistência à insulina, sem necessariamente indicar hemocromatose. No entanto, níveis muito altos de ferritina ou saturação de transferrina elevada justificam a investigação de hemocromatose hereditária, que também pode causar doença hepática.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo