Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
A esteatohepatite não alcoólica (EHNA) é uma forma avançada da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) e pode evoluir para fibrose e cirrose hepática. Assinale a alternativa que melhor descreve os fatores de risco e os aspectos diagnósticos da EHNA:
EHNA = Esteatose + Inflamação lobular + Balonização ± Fibrose (associada à Resistência Insulínica).
A EHNA é a forma progressiva da DHGNA, caracterizada por lesão hepatocitária (balonização) e inflamação, com alto potencial de evolução para cirrose.
A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) abrange desde a esteatose isolada até a EHNA. A EHNA é a condição em que o acúmulo de gordura é acompanhado por dano celular e inflamação, sendo a principal causa de cirrose criptogênica no mundo ocidental. O manejo foca no controle rigoroso dos componentes da síndrome metabólica e perda de peso. Histologicamente, a degeneração baloniforme é o marcador de lesão celular aguda. A progressão para fibrose ocorre devido à ativação das células estreladas em resposta ao estresse oxidativo e citocinas inflamatórias. O reconhecimento precoce é vital, pois a EHNA é uma das indicações que mais crescem para transplante hepático.
O diagnóstico histológico da esteatohepatite não alcoólica (EHNA) requer a presença de uma tríade clássica: esteatose macrovesicular, inflamação lobular (predominantemente neutrofílica ou linfocítica) e degeneração baloniforme dos hepatócitos. A presença de corpúsculos de Mallory-Denk e diferentes graus de fibrose perisinusoidal (em 'fio de galinheiro') também são achados frequentes que corroboram o quadro, embora a fibrose não seja obrigatória para o diagnóstico inicial da fase inflamatória.
A EHNA é considerada a manifestação hepática da síndrome metabólica. A fisiopatologia está intimamente ligada à resistência à insulina, que promove o acúmulo de ácidos graxos no fígado (lipotoxicidade). Pacientes com obesidade central, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial e dislipidemia apresentam um risco significativamente maior de progressão da esteatose simples para a esteatohepatite, aumentando as chances de desenvolvimento de cirrose e carcinoma hepatocelular.
A biópsia hepática continua sendo o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo e estadiamento da EHNA, pois métodos não invasivos (como elastografia ou escores séricos) ainda possuem limitações em distinguir esteatose isolada de esteatohepatite ativa. Ela é indicada especialmente em pacientes com evidências de síndrome metabólica e sinais de fibrose avançada em testes não invasivos, ou quando há dúvida diagnóstica sobre outras etiologias de doença hepática crônica.
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