Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Mulher, 42 anos, procura atendimento médico em função de alteração em exames do periódico da empresa. Refere sensação de “inchaço” na barriga há anos. Como antecedentes pessoais, apresenta duas gestações, sendo a última há 10 anos, sem intercorrências. Atualmente encontra-se em uso de fitoterápico como calmante. Hábito social de consumo de cerveja nos finais de semana. Exame físico: PA = 150 x 90 mmHg, FC = 82 bpm, FR = 16 ipm, T = 36.4 °C e índice de massa corpórea de 33 kg/m2 ; restante do exame físico normal. Laboratório: Hb = 12,9 g/dL, leucócitos = 6.780 células/mm3 , plaquetas = 275.000/mm3 , glicemia = 112 mg/dL, creatinina sérica = 0,78 g/dL, DHL = 128 mg/dL, HDL = 40 mg/dL, triglicerídeos = 195 mg/dL, TGO = 44 U/L, TGP = 77 U/L, GGT = 101 U/L, fosfatase alcalina = 68 U/L, TSH = 2,1 mU/L. Assinale a alternativa que apresenta a principal hipótese em relação às alterações hepáticas.
Mulher, 42a, IMC 33, PA 150x90, glicemia 112, TG 195, TGP 77, GGT 101 → Forte suspeita de Esteato-hepatite não alcoólica (NASH).
A paciente apresenta múltiplos fatores de risco para síndrome metabólica (obesidade, hipertensão, pré-diabetes, dislipidemia) e elevação das enzimas hepáticas (TGP > TGO, GGT elevada). Este perfil é altamente sugestivo de esteato-hepatite não alcoólica (NASH), uma manifestação mais grave da doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD).
A doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD) é a causa mais comum de doença hepática crônica no mundo ocidental, com uma prevalência crescente que acompanha a epidemia de obesidade e síndrome metabólica. A esteato-hepatite não alcoólica (NASH) é uma forma mais agressiva da NAFLD, caracterizada por esteatose hepática, inflamação e dano hepatocelular, que pode progredir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. A fisiopatologia da NASH é complexa e multifatorial, envolvendo resistência à insulina, estresse oxidativo, inflamação e disfunção mitocondrial. Clinicamente, muitos pacientes são assintomáticos ou apresentam sintomas inespecíficos como fadiga e desconforto abdominal. O diagnóstico é suspeitado por elevações persistentes das transaminases hepáticas (TGO, TGP) e GGT, especialmente em pacientes com fatores de risco metabólicos (obesidade, diabetes, dislipidemia, hipertensão). A biópsia hepática é o padrão-ouro para diferenciar esteatose simples de NASH e avaliar o grau de fibrose, embora métodos não invasivos estejam sendo desenvolvidos. O tratamento da NASH foca na modificação dos fatores de risco subjacentes, como perda de peso, dieta saudável, exercícios físicos e controle rigoroso do diabetes, dislipidemia e hipertensão. Não há um tratamento farmacológico específico aprovado para NASH, mas algumas drogas (como vitamina E e pioglitazona) podem ser consideradas em casos selecionados. Para o residente, é fundamental reconhecer a NASH como uma causa comum de alteração hepática e entender sua progressão e manejo, dada sua alta prevalência e potencial para doença hepática avançada.
Os principais fatores de risco incluem obesidade (especialmente abdominal), resistência à insulina, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia (triglicerídeos elevados, HDL baixo) e hipertensão arterial, que são componentes da síndrome metabólica.
Na NASH, é comum observar elevação das transaminases (TGO e TGP), geralmente com TGP > TGO. A gama-glutamil transferase (GGT) também costuma estar elevada, refletindo o estresse oxidativo e a inflamação hepática.
A esteatose hepática simples (fígado gorduroso) é o acúmulo de gordura no fígado sem inflamação significativa. A esteato-hepatite não alcoólica (NASH) é uma forma mais grave, que inclui esteatose, inflamação e dano hepatocelular, podendo progredir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular.
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