Esteato-Hepatite Não Alcoólica: Diagnóstico e Tratamento

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2025

Enunciado

Considere um paciente de 52 anos de idade, obeso (IMC de 32), portador de síndrome metabólica e intolerante à glicose (glicemia de jejum de 113 mg), sorologias negativas para hepatites virais, sem história de abuso etílico, com exames negativos para doenças autoimunes e metabólicas familiares do fígado. Os exames bioquímicos com enzimas hepáticas estão normais, elevação de triglicerídeos (198 mg), LDL de 186 mg, queda de HDL (38 mg) e elastografia hepática pelo Fibroscan® de 9,6k Pa. Nesse caso, qual é a conduta correta?

Alternativas

  1. A) Acompanhar as enzimas hepáticas por mais seis meses.
  2. B) Indicar a biópsia hepática.
  3. C) Repetir Fibroscan® em dois anos.
  4. D) Iniciar tratamento com pioglitazona e vitamina E.

Pérola Clínica

Fibroscan > 8 kPa em paciente com SM e intolerância à glicose → EHNA com fibrose significativa.

Resumo-Chave

Um Fibroscan de 9,6 kPa em paciente com síndrome metabólica e intolerância à glicose sugere fibrose hepática significativa (F2-F3), indicando esteato-hepatite não alcoólica (EHNA/NASH). Nesses casos, a pioglitazona e a vitamina E são tratamentos com evidência para melhorar a histologia hepática em pacientes não diabéticos ou diabéticos, respectivamente.

Contexto Educacional

A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), que inclui a esteatose simples e a esteato-hepatite não alcoólica (NASH), é uma condição crescente globalmente, intimamente ligada à síndrome metabólica, obesidade e diabetes tipo 2. A NASH é a forma mais grave, podendo progredir para cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular. O diagnóstico e manejo precoce são cruciais para prevenir essas complicações. Embora as enzimas hepáticas possam estar normais, a avaliação da fibrose é essencial. Ferramentas não invasivas como o Fibroscan (elastografia hepática) são valiosas para estratificar o risco de fibrose. Valores acima de 8 kPa geralmente indicam fibrose significativa (F2 ou superior), sugerindo a presença de NASH e a necessidade de intervenção terapêutica. A conduta para NASH com fibrose significativa envolve modificações no estilo de vida (dieta e exercícios) e, em casos selecionados, tratamento farmacológico. A pioglitazona e a vitamina E são as medicações com maior evidência de benefício histológico, sendo a pioglitazona preferencial em pacientes com diabetes tipo 2 ou intolerância à glicose, e a vitamina E em pacientes não diabéticos. A biópsia hepática é reservada para casos de incerteza diagnóstica ou para estadiamento preciso da fibrose quando métodos não invasivos são inconclusivos.

Perguntas Frequentes

Qual o significado de um Fibroscan de 9,6 kPa na esteatose hepática?

Um Fibroscan de 9,6 kPa sugere fibrose hepática significativa, geralmente F2 ou F3, indicando a presença de esteato-hepatite não alcoólica (NASH) e a necessidade de intervenção.

Quando iniciar tratamento medicamentoso para NASH?

O tratamento medicamentoso para NASH é indicado quando há fibrose significativa (F2 ou superior), mesmo com enzimas hepáticas normais, especialmente em pacientes com fatores de risco como síndrome metabólica.

Quais medicamentos são indicados para o tratamento da NASH?

Pioglitazona e vitamina E são as opções com maior evidência para o tratamento da NASH, com a pioglitazona sendo preferida em pacientes diabéticos e a vitamina E em não diabéticos.

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