TECM Prática - Prova Prática de Clínica Médica — Prova 2025
Caso clínico: • Paciente: Jandira, 58 anos, professora aposentada, encaminhada pela UBS após exames de rotina alterados. Refere fadiga crônica, leve aumento abdominal e edema em tornozelos; • História: DM2, hipertensão, dislipidemia, sem etilismo ou uso de fitoterápicos. Nunca teve icterícia; • Exame físico: PA 110x70 mmHg, fígado não palpável, ascite discreta, edema ++/4+; • Exames: AST: 52, ALT: 43, FA: 145, GGT: 120, albumina: 3,1 g/dL, INR: 1,4, plaquetas: 118.000, glicemia: 136, HbA1c: 7,8%, sorologias B e C negativas; • USG: fígado irregular, ecotextura heterogênea, esplenomegalia; • Elastografia: 15,2 kPa; • AFP: 8 ng/mL. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial recomendada?
Elastografia > 12.5 kPa + plaquetopenia + ascite = Cirrose por EHNA.
A EHNA é a manifestação hepática da síndrome metabólica; em estágios avançados (cirrose), exige rastreio rigoroso para hepatocarcinoma.
A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) abrange desde a esteatose simples até a esteato-hepatite (EHNA), que pode progredir para fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular. É fortemente associada à resistência à insulina e obesidade central. O diagnóstico de cirrose nesta fase muitas vezes é feito por sinais de hipertensão portal (esplenomegalia, ascite, plaquetopenia) e disfunção sintética (hipoalbuminemia, aumento do INR). A elastografia hepática tornou-se uma ferramenta não invasiva essencial para graduar a fibrose sem a necessidade imediata de biópsia. Uma vez diagnosticada a cirrose, o manejo foca na prevenção de complicações (varizes esofágicas, ascite, encefalopatia) e na vigilância oncológica semestral, dado o risco elevado de malignização hepatocitária.
Valores de elastografia hepática (FibroScan) acima de 12,5 a 15 kPa são altamente sugestivos de fibrose avançada ou cirrose (F4). No contexto da paciente com ascite, edema e plaquetopenia (118.000), o diagnóstico de cirrose está clinicamente e laboraturalmente estabelecido, independentemente da etiologia inicial.
A paciente apresenta múltiplos componentes da síndrome metabólica: DM2 descompensado (HbA1c 7,8%), hipertensão e dislipidemia. Com sorologias para hepatites B e C negativas e ausência de consumo alcoólico, a Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), evoluindo para EHNA e cirrose, torna-se a hipótese principal.
Todo paciente cirrótico, independentemente da causa, deve realizar rastreamento para Carcinoma Hepatocelular (CHC). O protocolo padrão consiste na realização de ultrassonografia de abdome superior a cada 6 meses, associada ou não à dosagem de alfa-fetoproteína (AFP), visando o diagnóstico precoce e possibilidade de tratamento curativo.
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