MASH: Diagnóstico Diferencial e Manejo da Esteato-hepatite

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022

Enunciado

Na avaliação de um paciente obeso com esteatose hepática grau III associada a um aumento de transaminases, o médico assistente aventou a possibilidade de se tratar da esteato-hepatite Metabólica (EHM – ou “MASH”, em inglês). Sobre este caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética abdominais são capazes de avaliar a extensão (grau) da infiltração gordurosa hepática e distinguir esteatose de esteato-hepatite.
  2. B) Biopsia hepática é uma exame mandatório para confirmar diagnóstico em todos os casos e para o screening de carcinoma hepatocelular, complicação mais precoce desta condição clínica.
  3. C) A metformina é recomendada como tratamento específico padrão-ouro para MASH, pois diversos estudos têm demonstrado sua eficácia na melhora histológica do grau de fibrose.
  4. D) No manejo deste paciente, é prudente investigar também outras condições clínicas, como hepatites virais e doença hepática alcoólica, bem como marcadores e critérios da síndrome metabólica.
  5. E) Trata-se de uma condição clínica muito prevalente, mas não se tem observado sua associação com cirrose hepática. Componentes antioxidantes, como a silimarina, são o tratamento de escolha. 

Pérola Clínica

Suspeita MASH → excluir outras causas hepatopatia e investigar síndrome metabólica.

Resumo-Chave

A esteato-hepatite metabólica (MASH) é um diagnóstico de exclusão e está fortemente associada à síndrome metabólica. É crucial investigar e descartar outras causas de doença hepática crônica, como hepatites virais e doença hepática alcoólica, antes de confirmar o diagnóstico de MASH e para um manejo abrangente.

Contexto Educacional

A esteato-hepatite metabólica (MASH), anteriormente conhecida como esteato-hepatite não alcoólica (NASH), representa a forma mais grave da doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD). É uma condição de alta prevalência global, intimamente ligada à obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, e pode progredir para cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular. O reconhecimento e manejo adequados são essenciais. A fisiopatologia da MASH envolve o acúmulo de gordura no fígado (esteatose), seguido por inflamação e dano hepatocelular, que podem levar à fibrose. O diagnóstico é complexo e requer a exclusão de outras causas de doença hepática. Exames de imagem como ultrassom e ressonância magnética são excelentes para detectar esteatose, mas não conseguem diferenciar esteatose simples de esteato-hepatite ou fibrose. A biópsia hepática permanece o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo e estadiamento da fibrose. O manejo da MASH é multifacetado, focando na modificação do estilo de vida (dieta e exercício para perda de peso), controle das comorbidades da síndrome metabólica e, em alguns casos, uso de agentes farmacológicos como a vitamina E ou pioglitazona. É fundamental investigar outras hepatopatias, como as virais ou alcoólicas, para um diagnóstico preciso e um plano terapêutico eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais componentes da síndrome metabólica que devem ser investigados em pacientes com suspeita de MASH?

Os principais componentes incluem obesidade abdominal, dislipidemia (triglicerídeos elevados, HDL baixo), hipertensão arterial e resistência à insulina/hiperglicemia, que são fatores de risco para MASH.

Por que é importante excluir outras causas de hepatopatia antes de diagnosticar MASH?

MASH é um diagnóstico de exclusão. É crucial descartar outras causas tratáveis ou com manejo específico, como hepatites virais (B e C), doença hepática alcoólica, doenças autoimunes ou metabólicas raras, para garantir o tratamento correto.

Qual o papel da biópsia hepática no diagnóstico e manejo da MASH?

A biópsia hepática é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de MASH e estadiar a fibrose, sendo importante para o prognóstico. No entanto, não é mandatória em todos os casos, sendo reservada para situações de incerteza diagnóstica ou para avaliar a gravidade da fibrose.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo