Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2023
Mulher, 74 anos, apresenta hérnia crural l esquerda redutível há cerca de um ano. Deseja ser operada para correção do defeito herniário. Ao realizar sua história clínica e exame físico, qual desses dados pode impedir o agendamento de procedimento eletivo?
Estase jugular → insuficiência cardíaca descompensada → contraindica cirurgia eletiva.
A estase jugular é um sinal clínico de aumento da pressão venosa central, frequentemente associado à insuficiência cardíaca descompensada. Realizar uma cirurgia eletiva em um paciente com insuficiência cardíaca descompensada aumenta significativamente o risco de complicações cardiovasculares perioperatórias, sendo uma contraindicação para o procedimento até a otimização clínica.
A avaliação pré-operatória é um pilar fundamental para a segurança do paciente, especialmente em cirurgias eletivas. Seu objetivo é identificar e otimizar condições clínicas que possam aumentar o risco de morbimortalidade perioperatória. A idade avançada, embora seja um fator de risco, por si só não impede um procedimento eletivo, mas exige uma avaliação mais detalhada das comorbidades. A presença de estase jugular é um achado de exame físico de extrema importância, pois indica um aumento da pressão venosa central, frequentemente associado à insuficiência cardíaca descompensada. Pacientes com insuficiência cardíaca descompensada apresentam um risco significativamente elevado de complicações cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, arritmias e edema agudo de pulmão, no período perioperatório. Portanto, diante de estase jugular, a cirurgia eletiva deve ser adiada até que a condição cardíaca seja otimizada. Outras condições como diabetes, tabagismo e revascularização miocárdica prévia, se controladas e estáveis, não são contraindicações absolutas, mas requerem manejo adequado. Infecção recente por COVID-19 também exige um período de espera para reduzir riscos pulmonares e trombóticos.
Sinais de descompensação cardíaca que contraindicam cirurgia eletiva incluem estase jugular, dispneia em repouso ou aos mínimos esforços, edema agudo de pulmão, arritmias graves não controladas e angina instável. Estes indicam a necessidade de otimização clínica prévia.
A estase jugular reflete um aumento da pressão venosa central, que é um marcador de sobrecarga de volume e/ou disfunção ventricular direita ou esquerda. Sua presença sugere insuficiência cardíaca descompensada, elevando drasticamente o risco de eventos cardiovasculares adversos durante e após a cirurgia.
Condições crônicas como diabetes mellitus bem controlado, hipertensão arterial controlada, tabagismo (embora a cessação seja recomendada) e doença coronariana estável (com revascularização prévia ou não, se assintomática) geralmente não impedem uma cirurgia eletiva, desde que o paciente esteja clinicamente otimizado.
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