UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2016
Durante consulta médica em uma Unidade de Saúde da Família com queixa principal de lesão de pele inespecífica, você aborda o paciente sobre hábito de fumar. Pelo relato do paciente, você identifica grau de dependência muito elevado. Ao ser questionado sobre sua motivação para interromper este hábito, o paciente relata que atualmente não pensa em parar de fumar e nega tentativas anteriores. Em qual estágio de motivação encontra-se o paciente e qual a conduta mais adequada para o caso?
Pré-contemplação tabagismo → Informar sem confrontar, visando reflexão e conscientização.
Na fase de pré-contemplação, o paciente não reconhece o problema ou não pensa em mudar. A abordagem deve ser não confrontacional, oferecendo informações e explorando a percepção do paciente, sem pressionar para a mudança imediata, mas sim para iniciar a reflexão sobre o hábito.
O Modelo Transteórico dos Estágios de Mudança, proposto por Prochaska e DiClemente, é fundamental para a abordagem de comportamentos de saúde, como o tabagismo. Ele descreve as fases pelas quais os indivíduos passam ao tentar modificar um hábito, sendo a pré-contemplação a etapa inicial onde o paciente não considera a mudança. Compreender este modelo é crucial para o residente, pois permite uma intervenção mais eficaz e personalizada, evitando frustrações e aumentando as chances de sucesso a longo prazo. Na fase de pré-contemplação, o paciente não vê seu comportamento como um problema ou não tem intenção de mudá-lo nos próximos seis meses. A fisiopatologia da dependência de nicotina, com seus receptores e vias de recompensa, contribui para essa resistência. O diagnóstico do estágio motivacional é feito pela escuta ativa e questionamento sobre a intenção de parar. É importante suspeitar de pré-contemplação quando o paciente nega o problema ou mostra pouca abertura para discutir a mudança. O tratamento e a abordagem para pacientes em pré-contemplação devem focar em aumentar a conscientização sobre os riscos e benefícios da mudança, sem confrontação. O prognóstico de sucesso é maior quando a abordagem respeita o estágio do paciente. Pontos de atenção incluem evitar julgamentos, oferecer informações de forma neutra e empática, e sempre deixar a porta aberta para futuras discussões, plantando a semente da dúvida e da reflexão.
Os estágios de mudança no tabagismo, segundo o Modelo Transteórico, são pré-contemplação, contemplação, preparação, ação e manutenção, com a possibilidade de recaída. Cada estágio exige uma abordagem específica e individualizada.
A conduta ideal para um paciente em pré-contemplação é fornecer informações de forma não confrontacional, explorar a percepção do paciente sobre o tabagismo e seus riscos, e promover a reflexão, sem pressionar para uma decisão imediata de parar. O objetivo é aumentar a conscientização.
A entrevista motivacional é uma abordagem centrada no paciente que visa fortalecer a motivação intrínseca para a mudança, explorando a ambivalência e respeitando a autonomia do paciente em cada estágio. Ela é particularmente útil para mover o paciente da pré-contemplação para a contemplação.
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