Entrevista Motivacional e Estágios de Mudança no Alcoolismo

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021

Enunciado

Considere que um paciente de 52 anos de idade, diabético, hipertenso, sedentário, relata o uso diário de pelo menos quatro doses de cachaça, acrescido de várias latas de cerveja aos fins de semana. Ao ser abordado sobre a necessidade de mudança deste hábito, ele desconversa, fala que não vê problema nenhum, e diz fazer isso para relaxar depois do trabalho. No processo de aconselhamento para mudança de comportamento, são sugeridas algumas ações: I - Entrevista motivacional. II - Negociar uma data para parar de beber. III - Balanço decisório. IV - Plano escrito de mudança de comportamentos. Estão corretos os aconselhamentos:

Alternativas

  1. A) I e III, apenas.
  2. B) II e IV, apenas.
  3. C) I, III e IV, apenas.
  4. D) I, II, III e IV.

Pérola Clínica

Pré-contemplação → Focar em ambivalência e balanço decisório, não em planos de ação.

Resumo-Chave

No estágio de pré-contemplação, o paciente não reconhece o comportamento como problema. A intervenção deve focar na escuta reflexiva e no balanço decisório para gerar dúvida, evitando metas de ação prematuras.

Contexto Educacional

O Modelo Transteórico de Prochaska e DiClemente é fundamental para o manejo de doenças crônicas e dependências químicas na Atenção Primária. Ele reconhece que a mudança de comportamento é um processo cíclico e não um evento único. Identificar corretamente em qual estágio o paciente se encontra permite que o médico utilize as ferramentas de comunicação mais eficazes para aquele momento específico. A Entrevista Motivacional (EM) complementa esse modelo ao oferecer um estilo de aconselhamento colaborativo e centrado no paciente. Em vez de confrontar a negação, o médico utiliza a empatia e a discrepância cognitiva para que o próprio paciente descubra suas motivações internas para a mudança, o que aumenta significativamente as taxas de sucesso a longo prazo no tratamento do alcoolismo e tabagismo.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o estágio de pré-contemplação?

Na pré-contemplação, o indivíduo não tem intenção de mudar seu comportamento em um futuro próximo (geralmente nos próximos 6 meses). Ele pode estar desinformado sobre as consequências de seus atos ou estar desanimado por tentativas anteriores fracassadas. Frequentemente, o paciente evita ler, falar ou pensar sobre o comportamento de risco, sendo visto como 'resistente' ou 'não motivado' pela equipe de saúde.

Como aplicar o balanço decisório na prática clínica?

O balanço decisório é uma técnica da entrevista motivacional onde o profissional ajuda o paciente a explorar os prós e contras de manter o comportamento atual versus os prós e contras de mudá-lo. Ao verbalizar os benefícios da mudança e os prejuízos do hábito atual, o paciente começa a desenvolver a 'fala de mudança', essencial para progredir do estágio de pré-contemplação para a contemplação.

Por que não definir uma data para parar na primeira consulta?

Definir uma data para parar (o 'dia D') é uma estratégia específica para o estágio de Preparação ou Ação. Se imposta a um paciente em Pré-contemplação, ela gera reatividade psicológica e resistência, pois o paciente ainda não aceitou que o comportamento é um problema. O foco inicial deve ser a construção da aliança terapêutica e o aumento da percepção de risco.

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