CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023
F., 45 anos, homem, é seu paciente de longa data na sua UBS, realizando acompanhamento devido ao diagnóstico de Diabetes Mellitus do tipo 2 e Hipertensão Arterial Sistêmica. Faz uso de forma irregular de metformina, e vem apresentando dificuldades no controle glicêmico. Durante a última consulta de rotina, ao ser questionado sobre hábitos e modificações de estilo de vida, respondeu ao médico que “não tomava a medicação sempre pois não precisava, uma vez que não sentia nada, e que estava comendo carne, sal, além de fumar, e nem tinha interesse em parar pois era o prazer que ele tinha”. Seus exames e medidas antropométricas mostravam o seguinte: Altura: 1,61; Peso: 115 kg; Glic. de jejum: 238 mg/dl; Hb. Glic: 8,8 mg/dl; PA=170 x 100 PA=170x100Você perguntou se o paciente gostaria de participar do grupo de atividades físicas da UBS, ao que ele respondeu: “doutor, eu não vou nesse grupo não porque não sou idoso e lá só tem velho (sic)”.Considerando os estágios motivacionais de Prochaska e Diclemente, pode-se concluir que o paciente se encontra em qual estágio?
Pré-contemplação = paciente não reconhece problema ou não tem intenção de mudar nos próximos 6 meses.
O estágio pré-contemplativo é caracterizado pela falta de reconhecimento do problema ou pela ausência de intenção de mudar o comportamento em um futuro próximo (geralmente 6 meses). O paciente não vê a necessidade de mudança, muitas vezes por falta de informação ou por desvalorização dos riscos, como demonstrado pela sua fala e recusa em participar de atividades.
Os estágios motivacionais de Prochaska e Diclemente, parte do Modelo Transteórico da Mudança, são fundamentais para compreender a prontidão de um indivíduo para alterar comportamentos de saúde. Este modelo é amplamente utilizado na atenção primária e na gestão de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, onde a adesão ao tratamento e as mudanças de estilo de vida são cruciais. A identificação correta do estágio permite ao profissional de saúde adaptar sua abordagem, tornando-a mais eficaz e centrada no paciente. O estágio de pré-contemplação é caracterizado pela falta de reconhecimento do problema ou pela ausência de intenção de mudança nos próximos seis meses. Pacientes neste estágio frequentemente minimizam os riscos, não veem benefícios na mudança ou sentem-se desmotivados. A fisiopatologia das doenças crônicas, como a progressão silenciosa da hipertensão e diabetes, contribui para essa percepção, pois os sintomas podem demorar a aparecer, levando o paciente a acreditar que "não precisa" de tratamento. A abordagem para pacientes pré-contemplativos deve ser não confrontacional e focada em construir um relacionamento de confiança. O objetivo não é forçar a mudança imediata, mas sim aumentar a consciência do paciente sobre os riscos e benefícios, explorando suas crenças e valores. Técnicas de entrevista motivacional são particularmente úteis, visando despertar a ambivalência e mover o paciente para o estágio de contemplação, onde ele começa a considerar a possibilidade de mudança.
Os estágios são: Pré-contemplação, Contemplação, Preparação, Ação, Manutenção e, por vezes, Recaída. Eles descrevem a prontidão de um indivíduo para mudar um comportamento.
Um paciente pré-contemplativo não reconhece o problema ou não tem intenção de mudar nos próximos seis meses. Ele pode resistir a informações sobre os riscos ou justificar seus comportamentos, como no caso do paciente que não vê necessidade de tomar medicação por não sentir nada.
A abordagem deve focar em aumentar a consciência sobre o problema e os riscos, sem confrontação. O objetivo é mover o paciente para a contemplação, explorando suas percepções e valores, muitas vezes utilizando técnicas de entrevista motivacional.
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