Estado de Mal Epiléptico Pediátrico: Acesso Intra-ósseo

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021

Enunciado

Lactente do sexo feminino, 1 ano e 10 meses de idade, com antecedente de prematuridade e anoxia neonatal, evoluindo com encefalopatia crônica não progressiva, atraso do desenvolvimento neuropsicomotor e epilepsia, em uso contínuo de carbamazepina e fenobarbital. Está apresentando quadro de febre de até 39°C associada a tosse e coriza há 1 dia. Hoje deu entrada em serviço de emergência com crise epiléptica tônico-clônica generalizada, levada à sala de emergência, monitorizada, oferecido oxigênio a 100%. Tentado acesso venoso por diversas vezes, sem sucesso, sendo administradas todas as medicações por via intramuscular. A criança já recebeu 3 doses de midazolam, com intervalo de 5 minutos entre cada dose, mas mantém crise epiléptica. Também já recebeu 1 dose de dipirona. Neste momento, qual é a conduta mais adequada visando o controle da crise epilética?

Alternativas

  1. A) Obter um acesso intra-ósseo para administração de dose de ataque de fenitoína.
  2. B) Instalar cateter venoso central para infusão de tiopental contínuo.
  3. C) Passar sonda nasogástrica para administração de dose de ataque de fenobarbital.
  4. D) Administrar diazepam em dose dobrada por via retal.
  5. E) Proceder a intubação orotraqueal para realizar a curarização.

Pérola Clínica

Crise epiléptica refratária em lactente, falha de acesso venoso → acesso intra-ósseo para fenitoína (segunda linha).

Resumo-Chave

A paciente está em estado de mal epiléptico refratário (crise > 5 minutos e refratária a benzodiazepínicos). Com falha de acesso venoso, o acesso intra-ósseo é a via de escolha para administração rápida de drogas de segunda linha, como fenitoína, para controle da crise e proteção cerebral.

Contexto Educacional

O estado de mal epiléptico é uma emergência neurológica grave definida por uma crise epiléptica contínua por mais de 5 minutos ou crises recorrentes sem recuperação da consciência entre elas. Em crianças, especialmente aquelas com comorbidades neurológicas prévias como encefalopatia crônica, o manejo rápido e eficaz é crucial para prevenir danos cerebrais permanentes. A paciente do caso, com crise tônico-clônica generalizada persistente após múltiplas doses de midazolam, encontra-se em estado de mal epiléptico refratário. A fisiopatologia envolve a falha dos mecanismos inibitórios cerebrais em interromper a atividade epiléptica. O diagnóstico é clínico, e a prioridade é o controle da crise. O tratamento inicial consiste em benzodiazepínicos (midazolam, diazepam, lorazepam). Se a crise persistir após duas doses de benzodiazepínicos, considera-se refratária, e drogas de segunda linha devem ser administradas. Nesse cenário de falha de acesso venoso, o acesso intra-ósseo (IO) é a via de escolha para administração de medicações e fluidos em emergências pediátricas, pois permite a entrega rápida e eficaz de fármacos com segurança comparável à via intravenosa. A fenitoína é uma excelente opção de segunda linha para o controle do estado de mal epiléptico, atuando na estabilização da membrana neuronal. A intubação orotraqueal e curarização (opção E) são medidas de suporte para proteger as vias aéreas e facilitar a ventilação, mas não tratam a crise epiléptica em si, apenas mascaram as manifestações motoras, sendo indicadas após o controle da crise ou para manejo de vias aéreas em coma induzido.

Perguntas Frequentes

Quando o acesso intra-ósseo é indicado em emergências pediátricas?

O acesso intra-ósseo é indicado em emergências pediátricas quando o acesso venoso periférico não pode ser estabelecido rapidamente (em 90 segundos ou 3 tentativas) em situações de urgência, como choque, parada cardiorrespiratória ou estado de mal epiléptico refratário, para administração de fluidos e medicações.

Qual a sequência de tratamento farmacológico para estado de mal epiléptico em crianças?

A sequência geralmente começa com benzodiazepínicos (midazolam IM/IV/IN ou diazepam IV/retal). Se a crise persistir, passa-se para drogas de segunda linha, como fenitoína ou fosfenitoína IV, ou fenobarbital IV. Se ainda refratário, considera-se indução de coma com midazolam contínuo ou propofol.

Por que a fenitoína é uma boa opção após falha dos benzodiazepínicos?

A fenitoína é uma droga de segunda linha eficaz para o estado de mal epiléptico porque atua estabilizando os canais de sódio dependentes de voltagem nos neurônios, inibindo a propagação da atividade epiléptica. Sua administração rápida, especialmente via intra-óssea quando o acesso venoso é difícil, é crucial para interromper a crise prolongada.

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