Convulsões Neonatais Refratárias: Manejo e Sequência Terapêutica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Um recém-nascido de 12 dias de vida foi levado à unidade de pronto-socorro por apresentar vômitos, anorexia, irritabilidade, desconforto respiratório e convulsões. O hemograma completo mostrou anemia. A análise do líquido cefalorraquidiano mostrou pleocitose discreta com predomínio de células mononucleares, hiperproteinorraquia e glicorraquia normal. Na admissão, ainda em crise convulsiva, foi medicado com fenobarbital, com dose de ataque de 20 mg/kg, porém permaneceu com crises epilépticas subentrantes.Considerando-se como a principal etiologia uma infecção do sistema nervoso central, para o manejo da condição apresentada pelo paciente deverá ser administrado

Alternativas

  1. A) diazepam, fenitoína, tiopental. 
  2. B) fenitoína, midazolam, tiopental.
  3. C) fenitoína, lorazepam, piridoxina. 
  4. D) nitrazepam, fenitoína, piridoxina.

Pérola Clínica

Crises neonatais refratárias a fenobarbital → Fenitoína, Midazolam, Tiopental (sequência).

Resumo-Chave

Em neonatos com crises epilépticas subentrantes refratárias ao fenobarbital, a sequência de tratamento envolve a adição de anticonvulsivantes de segunda linha como a fenitoína, seguida por benzodiazepínicos como o midazolam (se ainda refratário), e em casos extremos, anestésicos como o tiopental para induzir coma barbitúrico e controlar a atividade epiléptica.

Contexto Educacional

As convulsões neonatais são manifestações clínicas de disfunção cerebral aguda, sendo um sinal de alerta para diversas condições subjacentes graves. O estado de mal epiléptico neonatal, definido por crises contínuas ou recorrentes sem recuperação da consciência entre elas, é uma emergência neurológica que exige intervenção imediata para minimizar o risco de lesão cerebral permanente. Infecções do sistema nervoso central, como meningite e encefalite, são causas importantes nesse grupo etário. O manejo inicial das convulsões neonatais envolve a estabilização do paciente e a correção de distúrbios metabólicos. O fenobarbital é o anticonvulsivante de primeira linha. No entanto, em casos de crises subentrantes ou refratárias ao fenobarbital, é crucial progredir rapidamente para outras opções. A fenitoína é frequentemente a segunda escolha, seguida por benzodiazepínicos como midazolam (infusão contínua) ou lorazepam. A análise do LCR com pleocitose e hiperproteinorraquia, como no caso, reforça a hipótese de infecção do SNC. Se as crises persistirem apesar do uso de fenobarbital, fenitoína e benzodiazepínicos, o estado de mal epiléptico é considerado refratário. Nesses cenários, anestésicos como o tiopental ou propofol podem ser utilizados para induzir um coma barbitúrico e suprimir a atividade epiléptica, sempre em ambiente de terapia intensiva com monitorização rigorosa. A identificação e tratamento da causa subjacente (ex: antibióticos para meningite) são igualmente cruciais para o prognóstico a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Qual a sequência de tratamento para crises epilépticas neonatais refratárias?

Após a falha do fenobarbital (primeira linha), a sequência inclui fenitoína. Se as crises persistirem, benzodiazepínicos como midazolam ou lorazepam são usados. Em casos de estado de mal epiléptico refratário, pode-se recorrer a anestésicos como tiopental ou propofol.

Quais são as principais causas de convulsões em recém-nascidos?

As causas mais comuns incluem encefalopatia hipóxico-isquêmica, infecções do SNC (meningite, encefalite), distúrbios metabólicos (hipoglicemia, hipocalcemia, hiponatremia), hemorragias intracranianas e malformações cerebrais.

Por que a piridoxina é considerada em alguns casos de convulsões neonatais?

A deficiência de piridoxina (vitamina B6) é uma causa rara, mas tratável, de convulsões neonatais refratárias. Nesses casos, a administração de piridoxina pode interromper as crises rapidamente, sendo importante considerar essa etiologia em crises sem causa aparente ou refratárias.

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